sábado, 18 de setembro de 2010

ENDLESS LOVE VOL. II - Capítulo III

CAPÍUTLO III
Dois dias depois procuramos um especialista em inseminação artificial. Nós duas fizemos os mais variados exames e voltamos na data marcada para saber dos resultados. O médico chamava-se Jorge, tinha cerca de 60 anos, era simpático, e extremamente cuidadoso com as palavras. Demonstrou certo carinho por nós duas e foi muito sincero quanto ao diagnóstico...
- Bom, meninas, as notícias não são boas, mas não são trágicas... Você, Cristiane, abortou seu filho naturalmente... se tivesse feito os exames posteriores a este fato, como me disse que não fez, mesmo o médico recomendando tal procedimento, descobriria que não pode sustentar uma gravidez completa...
Segurando tua mão, senti que tremias. Te abracei forte, tentando te apoiar...
- Mas, meninas, ainda não está nada perdido, desde que você, Mirian, aceite engravidar no lugar de sua companheira... Com você está tudo perfeitamente normal... e seus óvulos, Cristiane, são completamente perfeitos...
Dessa vez eu fui quem estremeceu um pouco e acho que fiquei muito pálida, pois Jorge perguntou se eu estava bem. Acenei com um gesto de cabeça...
- Bom, isso é tudo, minhas queridas... Pensem no assunto. Vou estar à disposição sempre que desejarem..." dizendo isso se levantou e nos abraçou com carinho... "Coragem..." foi sua última palavra para nós duas.

 No carro, eu dirigia e você olhava pela janela. Foram longos minutos até que você se pronunciou...
- Podemos adotar... as meninas fizeram isso...
Não era uma solução, era um paliativo. Eu continuava concentrada em dirigir. De repente parei num acostamento e virei pra você...
- Quero um filho que tenha seus olhos... sua cor... seu temperamento... Quero gerar um filho seu... nosso... quero te dar tudo o que possa te fazer feliz... quero te dar tua continuação... nossa continuação... eu quero... -  minhas lágrimas eram muitas...  - Você vai me ajudar?...
Teu beijo veio com força, teu carinho, teu amor. Estava resolvido: seríamos mães.

Era a quarta vez que ia ao banheiro. Eu já tinha ouvido falar de enjôo na gravidez, mas estava achando terrível sentir tantas ânsias de vômito. Lembrei de quando ficava de ressaca (piada comparado  a isso). "Deus... vou morrer..." dizia a cada ataque.  Você me apoiava segurando minha cabeça que se enfiava no vaso sanitário. Eu percebia que isso não te agradava, via o asco em seu rosto e te pedia suavemente pra me deixar só. Comecei a ficar enjoada com o cheiro de seu sabonete, do xampu, do enxaguante bucal, o que me deixava simplesmente longe de você... "Desculpa, Love... " dizia ao me afastar sem permitir seu toque..."Vai passar, Linda..." você respondia beijando minha mão e acariciando meu ventre.

Os quatro primeiros meses se passaram e o dia da primeira ultrasonografia chegou. Jorge estava radiante, examinando com cuidado minha barriga que estava enorme...
- Deve ser um bebezão o seu, hein? - ele ria debochado e eu fazia cara feia...
- Não liga, Jorge... ela tá num humor terrível...
Ele ria mais ainda...
- Então vamos ver como está meu afilhado... ou afilhada... - disse passando uma espécie de gel na minha barriga e começando a movimentar o aparelho sobre ela. De repente a fisionomia dele passou de divertida pra preocupada, mas, em questão de segundos voltou a ser mais divertida ainda, ao extremo de soltar uma gargalhada...
- Vocês já compraram o enxoval? - você fez uma cara preocupada e respondeu afirmativamente... - Pois tratem de comprar mais um porque vocês vão ter gêmeos!
 - Dois!
Jorge ofereceu água pra você imediatamente, pois segurou-se na maca para não cair. Teu olhar encontrou o meu. Você se aproximou de meu rosto devagar, acariciando-o e tuas lágrimas molharam minha pele... - Obrigada... - tua voz saiu trêmula. Levei minhas mãos até tuas faces... - Agradece ao Jorge, isso é culpa dele... - rimos e nos voltamos para ele que parecia muito emocionado...
- Hei, meninas! Culpem a ciência...eu só quis ajudar...- rimos , os três...
- E agora, Jorge?... - perguntei com ansiedade.
Ele tomou minhas mãos... - Você é forte, Mirian... Eles vão precisar dessa força... vai sentir incômodos maiores do que numa gravidez normal, e não vamos poder levar até o fim... vamos marcar a cesariana para um mês antes dos nove normais, não se preocupe... - beijou minhas mãos... - O Jorge vai cuidar de você... - brincou com o personagem do desenho.

Você dirigia de volta pra casa e eu sentia um cansaço grande. Vinha sentindo a barriga grande e permaneci de olhos fechados, mas sabia que queria falar. Segurei sua mão na passagem de marcha...
- Encosta... - sussurrei e abri os olhos pra você, pedindo que falasse...
- Estou com medo... - tua voz saiu insegura.
Levei tuas mãos à boca... - O que você acha do nome Gian e Carlo?... Se forem meninos... - você me olhou sem entender, mas logo depois sorriu...
- Você gosta? - me respondeu com um riso no rosto... - Giovanna... gosto deste nome... - disse sem me olhar.
- Vai dar tudo certo... Você vai estar comigo...
Senti o puxão controlado de teus braços e me deixei ficar neles, aproveitando teu calor, teu amor...
- Vou estar sempre.
 Dentro de mim eu sabia que não seria tão fácil, pois havia sintomas de meu descontrole emocional e isso seria um grande desafio para nós duas. Agora, dependíamos do amor que nos envolvia e que fosse o suficiente, eu pedia.

Dois meses mais e minha barriga estava enorme. Nossas noites não tinham sido fáceis e tudo incomodava: a posição, as brincadeiras dos bebês dentro de mim, meu nervosismo com qualquer coisa e tua inabitual paciência. Mas eu não percebia que estava minando todas as suas forças, até que um dia...
- Linda... vou ter que viajar no sábado...
Agarrei você com desespero, era odioso, no meu ponto de vista, ficar os findis sem você. Nossa relação sexual estava capenga. Você, carinhosa, cuidadosa com os bebês, mas não fazíamos amor apesar dos amassinhos, nunca chegávamos ao fim. Não achávamos “posição” tranqüila, mas eu queria muito te amar antes dessa viagem...
- Vou no sábado e só volto duas semanas depois... - meus olhos encheram-se de água e meus lábios tremiam incontrolavelmente, você percebeu -... Endless, por favor... - me abraçou mais forte e eu desabei num choro interminável... - Vou te ligar todos os dias... vamos nos ver pelo skipe... se não tiver no hotel, vou procurar... não vai ficar sem mim... Prometo... - beijou minha testa tão delicadamente, enxugou minhas lágrimas...
- Vem jantar comigo amanhã? É sexta... vai chegar cedo? Pra gente se despedir? Você olhou em meus olhos, me beijou...
- Faz uma comidinha bem gostosa e me espera...
Finalmente consegui deixar o sono me vencer.

Ainda era noite de quinta-feira e teu braço, como sempre, envolvia minha barriga. Os bebês pareciam ter dado uma trégua, mas meu sono, meio intranquilo, foi interrompido por um susto como se o sonho fosse mau. Levantei-me assustada emitindo um som grotesco. Você acordou preocupada...
- Endless... que foi? - você me abraçava e eu só conseguia chorar.
- Vai voltar, não vai? Promete que sim... Vai voltar?! - eu quase gritava e você tentava me acalmar.
Eu suava muito. Com calma, você me despiu, me levou pro banheiro, encheu a banheira e me colocou lá. Suavemente, massageou meu corpo inteiro enquanto a água quente com sais ia me devolvendo o sentido da realidade...
- Desculpa... - disse num miado choroso... - Não sei o que acontece... não sei... - teus lábios me impediram de continuar num beijo terno.
- Tudo vai ficar bem, linda...
E a noite se tornou um presságio. Acordava vez ou outra e não te deixei dormir.

Os primeiros raios de sol invadiam nosso quarto pela fresta da janela. Levantei com cuidado pra não te acordar. Quando retirei tua mão de minha barriga, ouvi um resmungo que calei com um cheiro carinhoso em seu cangote te virando pro outro lado. Te olhei com gratidão e amor pleno. Fui ver nossos outros filhotes. Estava em falta com eles, tão resignados e amorosos. Não descuidamos da saúde deles, mas paramos de levá-los aos lugares de sempre. Marina é quem supria essa parte, Biel os amava e Sílvia também. Nossos meninos... Lelo, Kafka e Freud... Nossas meninas... Branca e Plita... Inseparáveis... Give... Essa eu tinha que mimar muito. Nesse momento aproveitava pra trazê-la mais para mim. Sentia o ciúme velado nos olhos azuis. Não pedia, exigia. Minha rainha. Preparei nosso desjejum, cuidando de teu regime. Granola, mel legítimo que importava sem você saber, aveia que você ama, frutas, pão integral que estava te acostumando a gostar e... Beijo na boca!  Receita infalível. Preparei tudo e pus na bandeja.  Levei ao quarto. No teu rosto a marca da noite mal dormida. Estava sendo difícil pra nós duas, mais ainda pra você, Workaholic... Cansadinha... Precisava te acordar ou perderia o horário e sabia como ficava se acontecesse, por isso toda essa preparação. Os bebês, nessa hora, começaram a mexer, então peguei sua mão com cuidado e coloquei na barriga. Eles responderam e acordaram a mamãe que deu aquele sorriso...
- Bom dia mamãe... - sussurrei te beijando a testa.

Continua...

Um comentário:

  1. Gêmeos!!! Até dei um pulo de alegria aqui!rs Eu tenho uma fascinação por gêmeos que não é normal, abafa. Somente amigos sabem! rs Achei tão fofo, nem reclamo mais da inseminação kkkkkkkkkk. E é isso aí miga, gravidez é chaaaaato de passar... Enjôo, peso, dificuldade pra dormir, pra "brincar" rs. Complicado, mas no final até que vale a pena. Gostei da notícia mas sinto que a Love vai desistir? Não é possível! ¬¬

    Continua, está maravilhosa e eu viciada. u.u Besos rs

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