quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ENDLESS LOVE VOL. II - Capítulo VI


Pela primeira vez me senti impotente e a frustração era o resultado disso. Fui ver os bebês. Estavam tão serenos. Gian estava acordado e percebi que me olhava. Não seria possível, mas os olhinhos dele estavam abertos e me miravam diretos. Vi um sorrisinho no canto da boca pra mim. Um sorrisinho lindo pra mim. Por isso que as enfermeiras o amavam, nosso menino era um galanteador. Quis tanto tocá-lo, mas não pude. Fiquei a tarde inteira ao lado deles. Estava magoada com você. Nunca me senti tão só na vida e estava odiando sentir isso. Não queria sentir pena de mim, queria odiar você por me fazer passar por isso. Prometeu que não me deixaria...  "E não te deixei..." Meu coração veio à boca, me virei rápida, mas não havia ninguém ali a não ser eu, os bebês e as enfermeiras. Mas ouvi nitidamente tua voz pronunciar as palavras. A agitação dentro de meu peito era incrível. Senti como se você me chamasse, como se pedisse pra me ver, então corri para a UTI. Jorge estava lá acompanhado de outros médicos numa movimentação estranha... -- Jorge, o que está acontecendo?! - quase gritei...
- Tirem ela daqui, por favor!! - foi a ordem dele pros enfermeiros que acompanhavam a intervenção.
Antes que me colocassem pra fora vi o desfribilador trabalhar em seu corpo...
- Não me deixa!!! - gritei em desespero antes de cair numa profunda escuridão.

Sonhos... Todas as emoções vividas com você. Me sentia serena, calma... Aquecida. Me aconcheguei mais a seu corpo e recebi aquele beijo no pescoço... - --- Vida... precisamos levar nossos filhos pra casa... acorda...
Ao ouvir isso, levantei assustada, olhando ao redor e estava no quarto que Jorge arrumou para que eu ficasse no hospital. Você me olhava aquele olhar que eu sabia de cor, mas estava me pedindo alguma coisa. Você se ergueu...
- Desculpa... - e vi as lágrimas escorrerem uma a uma... - Desculpa por ter demorado tanto... - e me abraçou.
Eu ainda não acreditava no que acontecia, mas me agarrei a você como nunca havia feito e, finalmente, me senti em paz... 
- Linda... o que aconteceu? Ontem...
Você calou meus lábios com um beijo gostoso... Que saudades...
- Ontem eu me libertei do coma... senti em mim que você se afastava... senti tua raiva... teu desespero... não podia te deixar ir... Não sei bem o que houve... Jorge teve que me reanimar... acho que voltei rápido demais... então você não aguentou e perdeu os sentidos... depois que me senti melhor, pedi a Jorge pra me levar até você... e aqui estou...
Te olhei incrédula...
- Ainda não viu... não viu...
Você sorriu com amor intenso...
- Nossos tesouros? Ainda não... estava te esperando... como sei que adora dormir... fui paciente... mas agora podemos ir vê-los? - fez carinha de cachorro pidão.

EU...

Em casa, finalmente. Entramos, eu com Giancarlo e você com Giovanna. Os bercinhos já estavam prontos no antigo quarto de hóspedes que se tornou o dos bebês. Um mês e onze dias de nascidos. Cresciam a olhos vistos. Ficamos admirando nossas crias, abraçadas...
- Eles são perfeitos... - eu quase sussurrei para não acordá-los...
- Sim... mais que perfeitos... é incrível a importância que eles têm em nossas vidas... são nossa continuação...
Me virei pra você...
- Ter você já era um milagre... agora tenho você ao cubo... que exagero... - sorri te beijando demoradamente, quando ouvimos um espirro. Nos soltamos imediatamente perguntando quem teria sido o autor do barulho. Outro espirro, e Gian se revelou o artista...
- Será que ele está com frio? Será que está gripado?
Você se assustou com a hipótese e eu te tranquilizei, dizendo que seria impossível ele ter gripado de uma hora para a outra. Gian espirrou mais uma vez, o narizinho estava vermelho e corisando, então eu também fiquei assustada. Liguei imediatamente pra Marina... "Agasalha ele melhor... fecha as janelas para evitar corrente de ar , eu estou indo aí..." desligou e nós fizemos o que ela pediu, mas ele não parava de espirrar e começava a chorar por não conseguir dormir. Peguei ele no colo. Nem chegou em casa direito e já estava dodói. Senti um aperto no peito e deixei cair uma lágrima, você veio e nos abraçou. Eu choraminguei ...
- Ele não pode estar doente... não pode... - você tentou me acalmar, mas os espirros contínuos de nosso filho não deixavam.

Marina havia chegado. Eu estava dando de mamar à Giovanna que acordara faminta e aos berros. Você segurava nosso menino que ainda espirrava. Marina se preocupou na hora...
- Ele ainda espirra sem parar... - você disse com voz chorosa.
Marina retirou um cartão da bolsa e me entregou...
- É a pediatra do Biel, melhor levá-lo lá agora... eu fico com a princesinha... - era assim que ela chamava nossa filha. Deixei uma mamadeira com meu leite na geladeira e fomos à pediatra.

 Assim que entramos, vimos outras mães e seus filhos. Olharam imediatamente para nós que entramos apressadas. A recepcionista nem teve tempo de falar para aguardar-mos, e você já foi dizendo...
- Nosso filho está doente, é uma emergência... a doutora pode nos atender agora?” A cara de espanto dela não passou despercebida de nós duas...
- A senhora precisa marcar...
Você se exasperou, mesmo eu pedindo para ter calma...
- Qual foi a parte de “é uma emergência” que você não entendeu?!
E sua voz alterada fez o estrago, e algumas crianças no recinto começaram a chorar. Foi quando a doutora apareceu pra saber o que estava acontecendo. E qual não foi minha surpresa quando reconheci imediatamente aquela voz e aquele rosto...
- Lúcia?
Ela me olhou imediatamente... - Mirian? - nos abraçamos...
- Deus do céu... salva meu filho...
Ela nem me olhou, disse pra recepcionista que não atenderia mais ninguém hoje. Nos levou pra sala...
- Então... - eu segurava Gian, ele ainda espirrava um pouco... - Vem cá, garotão... Pegou ele nos braços, você me olhava fazendo enormes perguntas. Lúcia se pronunciou...
- Vocês têm animais em casa?
- Seis... gatos...
Lúcia me olhou, te olhou também... - Seis gatos? - consentimos com um gesto de cabeça... - Deixa eu examinar essa coisa linda... - pôs nosso filho na maca, fez os testes de praxe... - Isso, garotão forte... - ela dizia enquanto levantava ele quando as mãozinhas agarraram seus dedos... - Ele é perfeito... - Lúcia sorria, mas você não.
Ela devolveu Gian pros meus braços, sentou e prescreveu uma receita. Me entregou..."Isso é pra aliviar a coriza e os espirros...como pode observar, ele está espirrando bem menos o que pode se caracterizar como sintoma de alergia... mas precisamos saber exatamente a o quê... - nos olhava enquanto falava para mim, tanto quanto para você... - Aconselho que não voltem com ele para casa... deixem que ele passe três dias longe e observem qualquer reação... depois destes três dias, retirem os animais da casa, aspirem tudo...limpem a casa com produtos antialérgicos e retornem com ele...  depois, tragam os gatos de volta... qualquer reação dele me liguem...a qualquer hora... - estendeu o cartão, que você pegou curiosa... - Bem, mamãe Mirian... poderia te encontrar de maneiras inusitadas, mas isso foi demais... - riu e me abraçou com cuidado para não machucar Gian... - Nos encontramos pra matar as saudades?
Olhei você que já destilava certo cinismo...
- Claro que sim... te convido pra jantar com a gente amanhã, que tal? - você saiu sem dizer palavra. Lúcia deu um riso de quem sabe tudo...
- Ainda se arriscando com as ciumentas?
Olhei bem profundamente para ela...
- A ciumenta que amo mais que tudo nesse mundo... a que me fez e faz a mulher mais feliz do mundo... - sorri sem nenhuma malícia ou desejo de responder a o que quer que fosse. Ela percebeu que eu não era mais aquela Mirian.

Um comentário:

  1. Oh puxa. Suspeitei que ela não morreria, mas mesmo assim perdi o fôlego quando você citou o desfibrilador. Depois perdi o fôlego de novo qndo pensei que o Gian estava doente... (espero que seja só alergia mesmo... é ruim, mas é bem melhor do que outra doença qualquer hehe).

    Se vc quiser pode responder os comentários daqui, pro meu email. Se não, eu continuarei comentando lá no ABCLess e vc responde por lá. Mesmo respondendo por aqui, eu sempre vou comentar lá tbm...
    (meu email: graci.carrie@gmail.com)

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