ESTA CANÇÃO É PRA VOCÊ...
Tereza recuou na intenção de me apresentar a mala. Vi quando eles se acomodaram numa mesa próxima do palco onde Leila e dois músicos preparavam os instrumentos. Alecky seguiu meu olhar entendendo a situação.
-- Então a espanhola tem um namorado... E que namorado... Está doendo, não está? -- ergueu meu rosto que baixou ante a afirmação. -- De maneira nenhuma se deixe abater, Fernanda Castro de Albuquerque!! Não ouse baixar sua cabeça na minha presença! Tome uma atitude! Ou pega ou larga!!
Neste momento Laura se aproxima com cara de poucos amigos. -- Onde está Samantha? -- perguntei porque sabia que o motivo só poderia ser este.
-- Adivinha... Lambendo a cria! Primeiro o Felipe se enrolou em alguns exercícios de matemática... Depois o Eduardo reclamou da garganta dolorida... Sabe como ela é chata com essas coisas, não é à toa que uma das melhores pediatras do país... E depois, como se não bastasse, adotou o Pedro... Ficou lá ajeitando ele para dormir como se fosse um príncipe! E eu? Nem sequer olhou pra minha cara... Nem notou o vestido novo que eu comprei especialmente para ela! Deixei-a no banheiro falando sozinha!
Eu ria dos ciúmes bobos de minha amiga. -- Não sei por que, mas tô com uma sensação de dejavú...
Recebi uma tapa no braço da ruiva emburrada que pareceu perceber a presença de Alecky pela primeira vez.
-- Meu Deus... Você é mesmo parecida com Alecky Farias... Acho até que é mais bonita que ela...
Rimos eu e minha parceira da declaração de Laura.
-- Então deixa eu te apresentar ela direito: Laura esta é Sandra Vasconcelos que o mundo da arte conhece como Alecky Farias.
A mulher ficou muda. Os olhos iam se abrindo cada vez mais à medida que se conscientizava do que eu tinha dito. Depois um sorriso débil foi se formando no rosto aparvalhado.
-- E antes que comece a dar piti, ela continuará sendo Sandra pelo menos aqui na festa... Está cansada de assédio lá fora, certo? Então nada de perguntas desconcertantes, nada de autógrafo e nada de escândalo... -- percebi que ela continuava olhando sem tirar o sorriso patético do rosto. -- Laura?!! -- tive que sacolejá-la para que acordasse.
-- Si-Sim! Claro! Claro!
Então puxei Alecky e procurei um lugar mais discreto para falar-lhe.
-- Al... -- segurei a mão dela firmemente. -- Faz tempo que eu quero fazer uma coisa... Sei que tem pouco mais de um mês que nos conhecemos... Mas gostaria de te pedir em namoro... -- ela sorriu e eu entendi a redundância que se fazia. -- Eu sei que já tivemos demais para até nos considerarmos casadas, mas não fiz a comunicação oficial... Ou seja... Na frente de meus amigos... Como deve ser... Quer dizer... Não é assim um noivado... É mais para... Deus como está difícil falar...
Alecky continuava rindo quase até a gargalhada. -- Você me mata, Nanda... Olha, meu anjo... -- parou de rir e me olhou com seriedade. -- Não pense que em algum momento a senhorita conseguiu me enganar... Sei muito bem o que vai nessa cabecinha linda agora mesmo... Eu também estou garimpando, querida e ainda não consegui retirar da pedra o meu diamante... Mas se vai te fazer sentir melhor... Ou provocar algum sintoma em “você sabe quem”... Fica à vontade... Só quero que saiba que o que eu sinto por você é verdadeiro... -- colou seu corpo ao meu. -- Que a espanhola se prepare, porque a guerra nem sequer começou e que ela não se engane... Meu arsenal é muito poderoso... -- nem me deixou responder, e tomou minha boca de súbito, me fazendo voar para longe dali.
Jantávamos ao som dos músicos de Leila. Esta aparentava uma tristeza incomum e foi só olhar para Ruth e entender o porquê. Pareciam sofrer do mesmo mal. Durante o jantar a conversa ficou entre banalidades. Laura era a mais eloqüente. Samantha teve que cutucá-la algumas vezes quando via que estava passando da medida. Tereza quase não falava, só quando solicitada por Marta que sentava-se ao seu lado. O homem também não se atrevia e seus olhares para as mulheres na mesa não me passou despercebido. Olhares luxuriosos, curiosos, parecia imaginar certas situações, pois assiduamente um risinho irônico aparecia de leve, mas perceptível o suficiente para se mostrar. Eu encontrei-lhe o olhar numa dessas ocasiões e o semblante que era descarado se tornou temeroso e desconcertado. Aproveitei o momento para anunciar meu envolvimento com Alecky. Pedi a atenção de todos e comecei.
-- Aproveitando que todos vocês amigos e... convidado... -- falei olhando diretamente para a cara do calhorda. -- Para anunciar o meu namoro com Alecky Farias... -- segurei-a pela mão fazendo com que se levantasse. -- ... Já estamos juntas a algum tempo, mas decidimos tornar público hoje... Na presença de vocês... Meus amigos, minha única família... Esta é a mulher que escolhi para me fazer feliz... Espero que eu consiga fazer o mesmo por ela...
-- Já está fazendo, meu anjo... -- nos beijamos ternamente sob aplausos entusiasmados.
-- Acho que já é hora do show! -- Leila falou já subindo no palco e pegando seu fiel amigo violão. -- Esta primeira música me faz lembrar a sorte que tive em encontrar minha alma gêmea... A mulher da minha vida... A única que amei... Amo e vou amar... -- olhou para Ruth e a impressão de que lágrimas surgiriam em breve era nítida. -- Não me deixa...
A última frase foi dita apenas com o movimento dos lábios. A música começou suave. As palavras provocaram alguns suspiros... Alguns beijos... Os casais se emocionando, revelando sentimentos guardados e outros tão visíveis que faziam um espetáculo a parte... Márcia e Isabel... Laura e Samantha... Tereza e... Meu coração perdeu o ritmo da batida. Sem perceber apertava a mão de Alecky com mais força que o necessário. O alerta foi reconhecido por ela que, imediatamente, localizou a fonte daquele desespero. Tereza se deixava beijar entregue nos braços daquele... daquele imbecil sortudo de uma figa!
Quis fugir dali e já o ia fazendo quando Alecky me impediu, me abraçando, mostrando-me o carinho imenso que tinha por mim, me fazendo entender que aquilo era só o começo. -- Não foge, meu anjo... Eu estou aqui... só pra você... -- acariciava meu rosto, beijava meus lábios. -- Vem... Dança comigo...
No espaço reservado, nos encontramos e nos demos à simbiose perfeita entre doar e receber. Outros casais nos seguiram. Apenas Marta observava tudo atentamente como se soubesse realmente o que se passava ali. Antes do final da música, Ruth subiu ao palco e ficou de frente para Leila que agora já não escondia o choro. Abraçaram-se e se deram o perdão tão desejado.
Versos Simples
Sabe, já faz tempo,
Que eu queria te falar,
Das coisas que trago no peito.
Saudade, Já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito.
Não te trago ouro,
Porque ele não entra no céu,
E nenhuma riqueza deste mundo.
Não te trago flores,
Porque elas secam e caem ao chão.
"Te trago" os meus versos simples,
Mas que fiz de coração.
Chimarruts
Depois de alguns minutos, Márcia subiu ao palco e cochichou ao ouvido de Leila. Esta balançou a cabeça positivamente em confirmação ao pedido da outra.
-- Gente, faz tempo que não atendo a pedidos... Me faz lembrar das churrascarias da vida pelas quais passei... Boas lembranças... Esta música que vou cantar agora é um pedido... apaixonado eu diria... Mas ao mesmo tempo inseguro... Quando não dá mais pra esquecer e se tem medo de ficar... esta canção é pra você...
Pra Te Lembrar
Que é que eu vou fazer pra te esquecer?
Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...
Que é que eu vou fazer pra te deixar?
Sempre que eu apresso o passo, passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar
Me abraça ao acordar como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...
Que é que eu vou fazer pra te lembrar?
Como tantos que eu conheço e esqueço de amar
Em que espelho teu, sou eu que vou estar?
A te ver sorrindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus vai apagar...
Caetano Veloso
Os casais voltaram a dançar, mas um em especial ficou parado entre olhares cúmplices como se conversassem através da música. Márcia segurava as mãos delicadas de Isabel, como se tivesse fazendo uma grande confissão... Como se entregasse de uma vez todo o seu ser. Aquela mulher madura estava conhecendo um outro lado da vida. Estava apostando sem garantias. Coragem.
Eu e Alecky continuamos dançando até o fim da música... Eu tinha me forçado a esquecer Tereza por alguns momentos. Era isso que eu faria. Não moveria uma palha até ela me dar o que eu queria. E se demorasse, poderia me perder para Sandra... Porque ela estava me dando tudo o que gostaria de receber em uma mulher... Ela era madura o suficiente, era dura o suficiente, era amável mais que o suficiente e era absolutamente segura de si.
Quando Leila terminou de cantar chamou meu nome.
-- Ei, parceira!! Que tal relembrar os velhos tempos na república quando a gente queria ser famosa e pegar todas as gostosas que quiséssemos? Vem, sobe aqui...
Alecky me empurrou até lá e me deu um longo beijo antes que eu subisse. Peguei o violão de um dos caras da banda e me sentei ao lado dela.
-- Só você mesmo, Leila... Vamos lá... Aquela que tocamos no encontro dos ex-alunos? -- ela consentiu abrindo um sorriso safado.
-- Foi com essa que você pegou a...
-- Sem comentários constrangedores... Não se esqueça que agora eu sou uma mulher comprometida...
-- Eu espero que VOCÊ não esqueça, meu anjo! -- Alecky gritou de baixo. -- Te amo...
Sem responder comecei a tocar e as palavras vieram fortes.
Um Amor Puro
O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo tem pra me conceder
São tuas até morrer
E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem
É teu e de mais ninguém
Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites viver uma grande estória
Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul
Um amor puro não sabe a força que tem
Meu amor eu juro ser teu e de mais ninguém
Djavan
Desta vez ninguém dançou. Ficaram todos sentados, ouvindo. Tereza me olhava um olhar de tristeza e ao mesmo tempo de rancor. O cretino tinha ela segura pelos ombros. Massageava-os com intimidade. Ver aquela cena me fez por num único olhar todo meu sentimento de uma vez. Então vi a mudança naquela cor azul. Pareceu surpreendida com o gesto e, como se algo a incomodasse, levantou-se e saiu com o amiguinho. Terminada a música eu os segui até quando se perderam por trás do portão. Ele a tinha levado. Minha Tereza...
Quando dei por mim, recebi a nada agradável mirada de Alecky. Desci para encontrá-la quando o celular dela toca. Se afastou para atender. Demorou alguns minutos e voltou pior do que tinha ido.
-- Meu empresário... Tenho que voar amanhã de manhã cedo para a Escócia... Tem um papel numa série da BBC... -- respirou fundo. -- Vai ser difícil, Nanda... -- me deu as costas. -- Talvez você tenha que resolver isso primeiro antes de começarmos algo sério, eu não sei se vou agüentar com ela tão perto de você... Não sou de ferro...
Eu virei-a para mim e a envolvi nos braços. Percebi o quanto subestimava aquela força. Dentro de mim ia um vagão desgovernado que precisava parar antes do precipício. De uma coisa eu tinha certeza: queria aquela mulher do meu lado caso algo desse errado. Ela era a única em quem eu podia confiar.
Fim da festa. Marta se despediu antes de todos e saiu com uma pulga atrás da orelha. Prometeu mandar um e-mail com algumas questões que levantou durante o evento. Eu sabia bem no que ia dar.
Depois foi a vez de Laura e Samantha. -- Ela tem clínica logo de manhã... Tenho que aproveitar agora se não... -- Laura reclamou da companheira que pareceu não ligar pro comentário.
Lindsay e Bárbara ficaram mais um pouco até que minha “Babi” (era assim que a chamava no meu tempo) reclamou do sono.
-- Uma pena que os meninos não puderam vir... -- Lindsay comentou apoiando o corpo da esposa -- Mimi ficou arrasado, mas surgiu este trabalho urgente da Zazá, você sabe como ela fica nestes momentos...
-- Sei, depois da operação então... parece que vive de TPM...
E se foram. Por fim ficamos eu e minha namorada... Minha namorada...
-- Linda?... -- tirei-a da divagação momentânea.
-- Hum... -- ela respondeu antes de me levar para um sofazinho colocado em frente a duas roseiras no jardim.
-- Quer namorar um pouco? -- ver um sorriso naquele rosto era algo de fantástico.
-- Você quer dizer que quer pegar minha mão? -- ela pegou a minha na dela.
-- Já pegamos...
-- Então... quer me dar beijos? -- me deu selinhos molhados.
-- Já estamos fazendo isso... -- continuei com a língua em seus lábios.
-- Ahh... Então quer dar uns amassos aqui? -- e levou minha mão para seu seio de bico enrijecido.
-- Isso também estamos fazendo... -- meu sexo já doía de tanto latejar.
-- Então... que tal aqui?... -- levou minha mão para sua vagina que reconheci toda molhada.
Mais que ligeira, subiu em cima de mim e tratou de enfiar meus dedos dentro dela enquanto a mão livre friccionava meu sexo apertado pelo jeans. Estávamos quase no auge quando ouvimos as vozes de Tereza e o troglodita “amigo dela”.
Tereza recuou na intenção de me apresentar a mala. Vi quando eles se acomodaram numa mesa próxima do palco onde Leila e dois músicos preparavam os instrumentos. Alecky seguiu meu olhar entendendo a situação.
-- Então a espanhola tem um namorado... E que namorado... Está doendo, não está? -- ergueu meu rosto que baixou ante a afirmação. -- De maneira nenhuma se deixe abater, Fernanda Castro de Albuquerque!! Não ouse baixar sua cabeça na minha presença! Tome uma atitude! Ou pega ou larga!!
Neste momento Laura se aproxima com cara de poucos amigos. -- Onde está Samantha? -- perguntei porque sabia que o motivo só poderia ser este.
-- Adivinha... Lambendo a cria! Primeiro o Felipe se enrolou em alguns exercícios de matemática... Depois o Eduardo reclamou da garganta dolorida... Sabe como ela é chata com essas coisas, não é à toa que uma das melhores pediatras do país... E depois, como se não bastasse, adotou o Pedro... Ficou lá ajeitando ele para dormir como se fosse um príncipe! E eu? Nem sequer olhou pra minha cara... Nem notou o vestido novo que eu comprei especialmente para ela! Deixei-a no banheiro falando sozinha!
Eu ria dos ciúmes bobos de minha amiga. -- Não sei por que, mas tô com uma sensação de dejavú...
Recebi uma tapa no braço da ruiva emburrada que pareceu perceber a presença de Alecky pela primeira vez.
-- Meu Deus... Você é mesmo parecida com Alecky Farias... Acho até que é mais bonita que ela...
Rimos eu e minha parceira da declaração de Laura.
-- Então deixa eu te apresentar ela direito: Laura esta é Sandra Vasconcelos que o mundo da arte conhece como Alecky Farias.
A mulher ficou muda. Os olhos iam se abrindo cada vez mais à medida que se conscientizava do que eu tinha dito. Depois um sorriso débil foi se formando no rosto aparvalhado.
-- E antes que comece a dar piti, ela continuará sendo Sandra pelo menos aqui na festa... Está cansada de assédio lá fora, certo? Então nada de perguntas desconcertantes, nada de autógrafo e nada de escândalo... -- percebi que ela continuava olhando sem tirar o sorriso patético do rosto. -- Laura?!! -- tive que sacolejá-la para que acordasse.
-- Si-Sim! Claro! Claro!
Então puxei Alecky e procurei um lugar mais discreto para falar-lhe.
-- Al... -- segurei a mão dela firmemente. -- Faz tempo que eu quero fazer uma coisa... Sei que tem pouco mais de um mês que nos conhecemos... Mas gostaria de te pedir em namoro... -- ela sorriu e eu entendi a redundância que se fazia. -- Eu sei que já tivemos demais para até nos considerarmos casadas, mas não fiz a comunicação oficial... Ou seja... Na frente de meus amigos... Como deve ser... Quer dizer... Não é assim um noivado... É mais para... Deus como está difícil falar...
Alecky continuava rindo quase até a gargalhada. -- Você me mata, Nanda... Olha, meu anjo... -- parou de rir e me olhou com seriedade. -- Não pense que em algum momento a senhorita conseguiu me enganar... Sei muito bem o que vai nessa cabecinha linda agora mesmo... Eu também estou garimpando, querida e ainda não consegui retirar da pedra o meu diamante... Mas se vai te fazer sentir melhor... Ou provocar algum sintoma em “você sabe quem”... Fica à vontade... Só quero que saiba que o que eu sinto por você é verdadeiro... -- colou seu corpo ao meu. -- Que a espanhola se prepare, porque a guerra nem sequer começou e que ela não se engane... Meu arsenal é muito poderoso... -- nem me deixou responder, e tomou minha boca de súbito, me fazendo voar para longe dali.
Jantávamos ao som dos músicos de Leila. Esta aparentava uma tristeza incomum e foi só olhar para Ruth e entender o porquê. Pareciam sofrer do mesmo mal. Durante o jantar a conversa ficou entre banalidades. Laura era a mais eloqüente. Samantha teve que cutucá-la algumas vezes quando via que estava passando da medida. Tereza quase não falava, só quando solicitada por Marta que sentava-se ao seu lado. O homem também não se atrevia e seus olhares para as mulheres na mesa não me passou despercebido. Olhares luxuriosos, curiosos, parecia imaginar certas situações, pois assiduamente um risinho irônico aparecia de leve, mas perceptível o suficiente para se mostrar. Eu encontrei-lhe o olhar numa dessas ocasiões e o semblante que era descarado se tornou temeroso e desconcertado. Aproveitei o momento para anunciar meu envolvimento com Alecky. Pedi a atenção de todos e comecei.
-- Aproveitando que todos vocês amigos e... convidado... -- falei olhando diretamente para a cara do calhorda. -- Para anunciar o meu namoro com Alecky Farias... -- segurei-a pela mão fazendo com que se levantasse. -- ... Já estamos juntas a algum tempo, mas decidimos tornar público hoje... Na presença de vocês... Meus amigos, minha única família... Esta é a mulher que escolhi para me fazer feliz... Espero que eu consiga fazer o mesmo por ela...
-- Já está fazendo, meu anjo... -- nos beijamos ternamente sob aplausos entusiasmados.
-- Acho que já é hora do show! -- Leila falou já subindo no palco e pegando seu fiel amigo violão. -- Esta primeira música me faz lembrar a sorte que tive em encontrar minha alma gêmea... A mulher da minha vida... A única que amei... Amo e vou amar... -- olhou para Ruth e a impressão de que lágrimas surgiriam em breve era nítida. -- Não me deixa...
A última frase foi dita apenas com o movimento dos lábios. A música começou suave. As palavras provocaram alguns suspiros... Alguns beijos... Os casais se emocionando, revelando sentimentos guardados e outros tão visíveis que faziam um espetáculo a parte... Márcia e Isabel... Laura e Samantha... Tereza e... Meu coração perdeu o ritmo da batida. Sem perceber apertava a mão de Alecky com mais força que o necessário. O alerta foi reconhecido por ela que, imediatamente, localizou a fonte daquele desespero. Tereza se deixava beijar entregue nos braços daquele... daquele imbecil sortudo de uma figa!
Quis fugir dali e já o ia fazendo quando Alecky me impediu, me abraçando, mostrando-me o carinho imenso que tinha por mim, me fazendo entender que aquilo era só o começo. -- Não foge, meu anjo... Eu estou aqui... só pra você... -- acariciava meu rosto, beijava meus lábios. -- Vem... Dança comigo...
No espaço reservado, nos encontramos e nos demos à simbiose perfeita entre doar e receber. Outros casais nos seguiram. Apenas Marta observava tudo atentamente como se soubesse realmente o que se passava ali. Antes do final da música, Ruth subiu ao palco e ficou de frente para Leila que agora já não escondia o choro. Abraçaram-se e se deram o perdão tão desejado.
Versos Simples
Sabe, já faz tempo,
Que eu queria te falar,
Das coisas que trago no peito.
Saudade, Já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito.
Não te trago ouro,
Porque ele não entra no céu,
E nenhuma riqueza deste mundo.
Não te trago flores,
Porque elas secam e caem ao chão.
"Te trago" os meus versos simples,
Mas que fiz de coração.
Chimarruts
Depois de alguns minutos, Márcia subiu ao palco e cochichou ao ouvido de Leila. Esta balançou a cabeça positivamente em confirmação ao pedido da outra.
-- Gente, faz tempo que não atendo a pedidos... Me faz lembrar das churrascarias da vida pelas quais passei... Boas lembranças... Esta música que vou cantar agora é um pedido... apaixonado eu diria... Mas ao mesmo tempo inseguro... Quando não dá mais pra esquecer e se tem medo de ficar... esta canção é pra você...
Pra Te Lembrar
Que é que eu vou fazer pra te esquecer?
Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...
Que é que eu vou fazer pra te deixar?
Sempre que eu apresso o passo, passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar
Me abraça ao acordar como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar...
Que é que eu vou fazer pra te lembrar?
Como tantos que eu conheço e esqueço de amar
Em que espelho teu, sou eu que vou estar?
A te ver sorrindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus vai apagar...
Caetano Veloso
Os casais voltaram a dançar, mas um em especial ficou parado entre olhares cúmplices como se conversassem através da música. Márcia segurava as mãos delicadas de Isabel, como se tivesse fazendo uma grande confissão... Como se entregasse de uma vez todo o seu ser. Aquela mulher madura estava conhecendo um outro lado da vida. Estava apostando sem garantias. Coragem.
Eu e Alecky continuamos dançando até o fim da música... Eu tinha me forçado a esquecer Tereza por alguns momentos. Era isso que eu faria. Não moveria uma palha até ela me dar o que eu queria. E se demorasse, poderia me perder para Sandra... Porque ela estava me dando tudo o que gostaria de receber em uma mulher... Ela era madura o suficiente, era dura o suficiente, era amável mais que o suficiente e era absolutamente segura de si.
Quando Leila terminou de cantar chamou meu nome.
-- Ei, parceira!! Que tal relembrar os velhos tempos na república quando a gente queria ser famosa e pegar todas as gostosas que quiséssemos? Vem, sobe aqui...
Alecky me empurrou até lá e me deu um longo beijo antes que eu subisse. Peguei o violão de um dos caras da banda e me sentei ao lado dela.
-- Só você mesmo, Leila... Vamos lá... Aquela que tocamos no encontro dos ex-alunos? -- ela consentiu abrindo um sorriso safado.
-- Foi com essa que você pegou a...
-- Sem comentários constrangedores... Não se esqueça que agora eu sou uma mulher comprometida...
-- Eu espero que VOCÊ não esqueça, meu anjo! -- Alecky gritou de baixo. -- Te amo...
Sem responder comecei a tocar e as palavras vieram fortes.
Um Amor Puro
O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo tem pra me conceder
São tuas até morrer
E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe a força que tem
É teu e de mais ninguém
Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites viver uma grande estória
Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul
Um amor puro não sabe a força que tem
Meu amor eu juro ser teu e de mais ninguém
Djavan
Desta vez ninguém dançou. Ficaram todos sentados, ouvindo. Tereza me olhava um olhar de tristeza e ao mesmo tempo de rancor. O cretino tinha ela segura pelos ombros. Massageava-os com intimidade. Ver aquela cena me fez por num único olhar todo meu sentimento de uma vez. Então vi a mudança naquela cor azul. Pareceu surpreendida com o gesto e, como se algo a incomodasse, levantou-se e saiu com o amiguinho. Terminada a música eu os segui até quando se perderam por trás do portão. Ele a tinha levado. Minha Tereza...
Quando dei por mim, recebi a nada agradável mirada de Alecky. Desci para encontrá-la quando o celular dela toca. Se afastou para atender. Demorou alguns minutos e voltou pior do que tinha ido.
-- Meu empresário... Tenho que voar amanhã de manhã cedo para a Escócia... Tem um papel numa série da BBC... -- respirou fundo. -- Vai ser difícil, Nanda... -- me deu as costas. -- Talvez você tenha que resolver isso primeiro antes de começarmos algo sério, eu não sei se vou agüentar com ela tão perto de você... Não sou de ferro...
Eu virei-a para mim e a envolvi nos braços. Percebi o quanto subestimava aquela força. Dentro de mim ia um vagão desgovernado que precisava parar antes do precipício. De uma coisa eu tinha certeza: queria aquela mulher do meu lado caso algo desse errado. Ela era a única em quem eu podia confiar.
Fim da festa. Marta se despediu antes de todos e saiu com uma pulga atrás da orelha. Prometeu mandar um e-mail com algumas questões que levantou durante o evento. Eu sabia bem no que ia dar.
Depois foi a vez de Laura e Samantha. -- Ela tem clínica logo de manhã... Tenho que aproveitar agora se não... -- Laura reclamou da companheira que pareceu não ligar pro comentário.
Lindsay e Bárbara ficaram mais um pouco até que minha “Babi” (era assim que a chamava no meu tempo) reclamou do sono.
-- Uma pena que os meninos não puderam vir... -- Lindsay comentou apoiando o corpo da esposa -- Mimi ficou arrasado, mas surgiu este trabalho urgente da Zazá, você sabe como ela fica nestes momentos...
-- Sei, depois da operação então... parece que vive de TPM...
E se foram. Por fim ficamos eu e minha namorada... Minha namorada...
-- Linda?... -- tirei-a da divagação momentânea.
-- Hum... -- ela respondeu antes de me levar para um sofazinho colocado em frente a duas roseiras no jardim.
-- Quer namorar um pouco? -- ver um sorriso naquele rosto era algo de fantástico.
-- Você quer dizer que quer pegar minha mão? -- ela pegou a minha na dela.
-- Já pegamos...
-- Então... quer me dar beijos? -- me deu selinhos molhados.
-- Já estamos fazendo isso... -- continuei com a língua em seus lábios.
-- Ahh... Então quer dar uns amassos aqui? -- e levou minha mão para seu seio de bico enrijecido.
-- Isso também estamos fazendo... -- meu sexo já doía de tanto latejar.
-- Então... que tal aqui?... -- levou minha mão para sua vagina que reconheci toda molhada.
Mais que ligeira, subiu em cima de mim e tratou de enfiar meus dedos dentro dela enquanto a mão livre friccionava meu sexo apertado pelo jeans. Estávamos quase no auge quando ouvimos as vozes de Tereza e o troglodita “amigo dela”.
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