Era o que eu queria que fizesse... Que me largasse para que eu pudesse dizer-lhe tudo o que deveria ter lhe dito antes que começasse.
-- Nanda, o que...
-- Quando foi que acreditou em mim de verdade, menina?! -- ela baixou a cabeça e mais uma dor se instalou dentro de mim.
-- Quantas vezes você duvidou?!
-- Eu entendo o que está passando, Nanda, mas... -- ela tentava argumentar e eu a cortava tentando me dar forças para continuar.
-- Não se preocupe Tereza, isso nunca foi culpa sua e sim minha! Quando eu poderia querer que uma garota que mal saiu da puberdade entendesse o que é amar?! Uma menina que mal sabe quem é! Que precisa ser cuidada o tempo todo! Que não faz nada para ser independente! -- andei até a varanda e me voltei para ela. -- Você precisa crescer, menina! Aproveite a presença de seu tio e vá com ele para a Espanha! Estude! Faça algo para encontrar seu lugar no mundo! Não tenho mais tempo para perder com você! Nem paciência para transformar uma guria em mulher!
-- Você já me fez sua mulher, não lembra?! -- gritou desesperada.
-- Como não me lembraria? Foi uma transa e tanto, isso não nego, mas o preço que paguei depois, minha querida, foi caro demais! -- o sangue quente da espanhola falou mais alto e recebi a bofetada merecida.
-- Um dia vai se arrepender de ter me tratado dessa maneira. Eu não me arrependo de nada, Sra. Fernanda! Infelizmente, a “senhora” foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, mas não será a única, pode apostar! Só sinto pelo Pedro, ele não merecia ter sido envolvido nisso!
Meu coração se partiu em mil pedaços com aquelas palavras e um nó se fez em minha garganta ao lembrar meu menino.
-- Ele não foi envolvido nisso!! -- falei no mesmo tom. -- Eu o amo de verdade!! E vou amá-lo até a minha morte!! Quero que se lembre do que me prometeu, menina!!! Se algo desse errado entre nós isso não interferiria!!! Não pense que perderei o amor dele também!! Eu não suportaria!!! Acho que nossa conversa acaba por aqui! -- fui rápida até a porta para abri-la quando ela me alcançou fazendo com que a encarasse.
-- Sei muito bem o que está fazendo, “senhora”... -- e beijou-me daquela mesma maneira exasperada da primeira vez e me entreguei àquele pedacinho de gente como se fosse morrer ali mesmo. -- Um dia a gente se vê...
E saiu me deixando com aquele gosto eterno em meus lábios.
xxxx
O processo judicial caminhou como previsto. Fui julgada inocente do assassinato, mas condenada a dois meses de cadeia pela agressão, que foram substituídos por trabalho comunitário numa escola da periferia, por eu ser ré primária e ter bons antecedentes.
Foram dias onde pude melhorar o conceito que tinha da vida. Nunca me empolguei tanto com um trabalho. Conheci gente de verdade e me senti viva como nunca tinha sentido antes.
Depois que Tereza e Pedro se foram, passei a me dedicar mais a Alecky. Ela me acompanhava em todo meu progresso como ser humano. Participava de alguns eventos que eu proporcionava aos pais, alunos e funcionários, enfim, estava me mostrando uma de suas armas letais: cumplicidade.
Minha ligação com meu pequeno não fora cortada. Falava com ele pelo skype, MSN. Telefonava algumas vezes e, em nenhuma delas, falei com Tereza. Me mantinha informada, mas nenhum contato. Finalmente, cumprida minhas obrigações com a justiça, pude viajar com minha noiva. Ela estava nervosa com a proximidade das gravações. Acompanhei-a em algumas sessões e pude ver o quanto era querida pelos outros atores. Havia ganhado o respeito deles tanto quanto eles, o dela. Mesmo o tema central da série sendo o lesbianismo, algumas das cenas lhe eram difíceis de fazer. Numa destas, me pediu para sair do set.
Fui encontrá-la depois no seu camarim. Bati antes de entrar.
-- Oi.
-- Oi. -- as faces coradas me deram uma dica do constrangimento.
Levantei-a da cadeira e aconcheguei-a num abraço terno. Senti o corpo relaxar instantaneamente. Meus lábios encontraram seu pescoço cheiroso.
-- Terminou por hoje? -- ela afirmou com um aceno de cabeça.
-- Então vou te raptar, princesa. Vou te levar para minha gruta escura e molhada... -- ouvi o risinho sem vergonha. -- você quer entrar lá, não quer, gostosa?
-- Sempre, minha ogrinha tarada... -- suspirou profundamente antes de me olhar seriamente. -- Ainda não me acostumo em fazer cena de sexo com você olhando. Pode ser nóia minha, mas tenho a sensação de estar te traindo. É isso que você faz comigo, noiva... Me tira do profissional, depois de tantos anos de experiência.
-- Quer que pare de vir? -- aguardei a resposta com curiosidade.
-- Isso te chatearia de alguma forma? -- vi medo em seus olhos negros. -- Não... Apenas me sentiria um pouco só, mas nada que o trabalho não resolva. Estou pensando em escrever um novo livro... Começo a pesquisa amanhã.
-- Sério? -- aquele sorriso que adoro apareceu iluminando seu rosto. -- Vou adorar te ajudar... Agora, vamos para sua gruta molhada... Tô doida pra entrar lá...
xxxx
Como em todas as vezes que me meto com o trabalho, o tempo pareceu voar. Com isso, os acontecimentos não tardaram a chegar com os ventos que sopravam vindos do Brasil. Um deles veio bater direto no meu rosto através de um telefonema preocupante de Márcia, depois de longos oito meses.
-- O que está me dizendo? -- perguntei alarmada. -- Ela não pode ter feito isso? Estava em tratamento desde o ano passado...
-- “Os médicos não souberam explicar, mas desconfiam que ela tenha parado de tomar os remédios sem avisá-los... Não conheço bem sua amiga, mas agorafobia não é fácil de tratar. Eles disseram que a tentativa de suicídio pode derrubar todo o progresso que ela tinha conseguido em anos... Receiam uma nova tentativa...”
-- Tudo bem, Márcia, escute o que quero que providencie...
xxxx
No saguão do aeroporto de Glasgow, eu esperava uma mulher alta de cabelos pretos e curtos e olhos verdes de uma pureza quase infantil. Quando ela apareceu por entre os passageiros que chegavam reparei o quanto estava destruída. A passos largos, alcancei-a num abraço forte.
-- Marta... Seja bem vinda... -- demorei-me no gesto, mas ao sentir seu desconforto em estar naquele local.
-- Podemos ir? Estou cansada... Da viagem.
As mãos tremiam. Não havia naquela mulher traços do que foi um dia. Recusava encarar-me diretamente. As olheiras tomavam conta do rosto pálido e o brilho juvenil dos olhos verdes tinha desaparecido. Os meus, imediatamente, encheram-se de lágrimas. Ela não sabia como estava sendo difícil, pra mim, vê-la naquele estado, ou talvez, soubesse, e isso fosse ainda mais difícil para ela por se achar a causadora desta dificuldade.
-- Claro... Vamos para casa...
E vi uma esperança tomar conta de mim ao perceber, bem lá no fundo daquele olhar morto, uma centelha de felicidade.
Estávamos quase chegando, quando ela tocou no assunto pela primeira vez.
-- Eu não deveria ter parado com os medicamentos... -- a voz saiu tão fraca que quase não escutei.
-- Achei que poderia controlar... Não agüentava mais a insônia, os tremores nas mãos... -- ergueu os membros e vi nitidamente sobre o que falava. -- Não conseguia me concentrar nas leituras... Achei que podia passar sem eles... Pare o carro... Eu preciso respirar...
Obedeci prontamente. Ela saiu do automóvel e vomitou. Corri para ajudá-la.
-- Eu não agüento mais isso!! -- apoiei o corpo magro. -- Não posso mais viver assim, Nanda... Preciso acabar com isso! -- as lágrimas eram muitas. -- Não devia ter vindo... Mas... Precisava...
-- Shhh! Nós vamos conseguir, amiga... Eu vou te ajudar. Alecky está doida pra te conhecer melhor, ela leu um dos seus livros sabia? Ficou encantada... -- enquanto eu falava, ajudava-a a entrar no carro novamente.
Ela me olhou por alguns segundos. -- Por que está fazendo isso?
-- Por que você é minha amiga... Me salvou naquele dia obscuro...
-- Não é isso que estou perguntando... Por que está fugindo?
-- Como assim? Fugindo de quê?
-- Da vida, Nanda... Por que fugiu da luta? Por que se trancou em casa ao invés de sair e tomar a chuva, sentir o vento... Ou ser atropelada, e daí? É a vida, Nanda... Por que a abandonou?
Engoli o choro. Aquela mulher agorafóbica sabia do que estava falando.
-- Olhe para mim, Nanda... Veja no que me transformei... Escrava do medo... Você está destruindo seu ser verdadeiro aos poucos... Eu estava lá e vi aquela criança olhar para você. A força daqueles olhos não era uma promessa.
O rumo daquela conversa estava me deixando doente. Marta pediu que eu parasse o carro novamente. Desta vez ficou dentro do carro.
-- Um dos motivos que me trouxeram aqui foi que precisava te alertar para o perigo de não enfrentar as situações, Nanda. É disso que sofro, mas resolvi acabar com isso, mesmo sabendo que não serei mais a mesma, porque demorei muito para admitir que estava doente. Pense no que está fazendo para não ter que aceitar o que sente. Não pode agir como se estivesse escrevendo um livro, como se tivesse o poder de decidir... E, principalmente, não leve com você quem não pode estar neste enredo. Não prive alguém de seguir o próprio destino e não sua rota de fuga! -- desta vez ela abriu a porta depressa e voltou a vomitar.
Eu não consegui me mover de onde estava. A cabeça dera uma volta de trezentos e sessenta graus.
-- Nanda, o que...
-- Quando foi que acreditou em mim de verdade, menina?! -- ela baixou a cabeça e mais uma dor se instalou dentro de mim.
-- Quantas vezes você duvidou?!
-- Eu entendo o que está passando, Nanda, mas... -- ela tentava argumentar e eu a cortava tentando me dar forças para continuar.
-- Não se preocupe Tereza, isso nunca foi culpa sua e sim minha! Quando eu poderia querer que uma garota que mal saiu da puberdade entendesse o que é amar?! Uma menina que mal sabe quem é! Que precisa ser cuidada o tempo todo! Que não faz nada para ser independente! -- andei até a varanda e me voltei para ela. -- Você precisa crescer, menina! Aproveite a presença de seu tio e vá com ele para a Espanha! Estude! Faça algo para encontrar seu lugar no mundo! Não tenho mais tempo para perder com você! Nem paciência para transformar uma guria em mulher!
-- Você já me fez sua mulher, não lembra?! -- gritou desesperada.
-- Como não me lembraria? Foi uma transa e tanto, isso não nego, mas o preço que paguei depois, minha querida, foi caro demais! -- o sangue quente da espanhola falou mais alto e recebi a bofetada merecida.
-- Um dia vai se arrepender de ter me tratado dessa maneira. Eu não me arrependo de nada, Sra. Fernanda! Infelizmente, a “senhora” foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, mas não será a única, pode apostar! Só sinto pelo Pedro, ele não merecia ter sido envolvido nisso!
Meu coração se partiu em mil pedaços com aquelas palavras e um nó se fez em minha garganta ao lembrar meu menino.
-- Ele não foi envolvido nisso!! -- falei no mesmo tom. -- Eu o amo de verdade!! E vou amá-lo até a minha morte!! Quero que se lembre do que me prometeu, menina!!! Se algo desse errado entre nós isso não interferiria!!! Não pense que perderei o amor dele também!! Eu não suportaria!!! Acho que nossa conversa acaba por aqui! -- fui rápida até a porta para abri-la quando ela me alcançou fazendo com que a encarasse.
-- Sei muito bem o que está fazendo, “senhora”... -- e beijou-me daquela mesma maneira exasperada da primeira vez e me entreguei àquele pedacinho de gente como se fosse morrer ali mesmo. -- Um dia a gente se vê...
E saiu me deixando com aquele gosto eterno em meus lábios.
xxxx
O processo judicial caminhou como previsto. Fui julgada inocente do assassinato, mas condenada a dois meses de cadeia pela agressão, que foram substituídos por trabalho comunitário numa escola da periferia, por eu ser ré primária e ter bons antecedentes.
Foram dias onde pude melhorar o conceito que tinha da vida. Nunca me empolguei tanto com um trabalho. Conheci gente de verdade e me senti viva como nunca tinha sentido antes.
Depois que Tereza e Pedro se foram, passei a me dedicar mais a Alecky. Ela me acompanhava em todo meu progresso como ser humano. Participava de alguns eventos que eu proporcionava aos pais, alunos e funcionários, enfim, estava me mostrando uma de suas armas letais: cumplicidade.
Minha ligação com meu pequeno não fora cortada. Falava com ele pelo skype, MSN. Telefonava algumas vezes e, em nenhuma delas, falei com Tereza. Me mantinha informada, mas nenhum contato. Finalmente, cumprida minhas obrigações com a justiça, pude viajar com minha noiva. Ela estava nervosa com a proximidade das gravações. Acompanhei-a em algumas sessões e pude ver o quanto era querida pelos outros atores. Havia ganhado o respeito deles tanto quanto eles, o dela. Mesmo o tema central da série sendo o lesbianismo, algumas das cenas lhe eram difíceis de fazer. Numa destas, me pediu para sair do set.
Fui encontrá-la depois no seu camarim. Bati antes de entrar.
-- Oi.
-- Oi. -- as faces coradas me deram uma dica do constrangimento.
Levantei-a da cadeira e aconcheguei-a num abraço terno. Senti o corpo relaxar instantaneamente. Meus lábios encontraram seu pescoço cheiroso.
-- Terminou por hoje? -- ela afirmou com um aceno de cabeça.
-- Então vou te raptar, princesa. Vou te levar para minha gruta escura e molhada... -- ouvi o risinho sem vergonha. -- você quer entrar lá, não quer, gostosa?
-- Sempre, minha ogrinha tarada... -- suspirou profundamente antes de me olhar seriamente. -- Ainda não me acostumo em fazer cena de sexo com você olhando. Pode ser nóia minha, mas tenho a sensação de estar te traindo. É isso que você faz comigo, noiva... Me tira do profissional, depois de tantos anos de experiência.
-- Quer que pare de vir? -- aguardei a resposta com curiosidade.
-- Isso te chatearia de alguma forma? -- vi medo em seus olhos negros. -- Não... Apenas me sentiria um pouco só, mas nada que o trabalho não resolva. Estou pensando em escrever um novo livro... Começo a pesquisa amanhã.
-- Sério? -- aquele sorriso que adoro apareceu iluminando seu rosto. -- Vou adorar te ajudar... Agora, vamos para sua gruta molhada... Tô doida pra entrar lá...
xxxx
Como em todas as vezes que me meto com o trabalho, o tempo pareceu voar. Com isso, os acontecimentos não tardaram a chegar com os ventos que sopravam vindos do Brasil. Um deles veio bater direto no meu rosto através de um telefonema preocupante de Márcia, depois de longos oito meses.
-- O que está me dizendo? -- perguntei alarmada. -- Ela não pode ter feito isso? Estava em tratamento desde o ano passado...
-- “Os médicos não souberam explicar, mas desconfiam que ela tenha parado de tomar os remédios sem avisá-los... Não conheço bem sua amiga, mas agorafobia não é fácil de tratar. Eles disseram que a tentativa de suicídio pode derrubar todo o progresso que ela tinha conseguido em anos... Receiam uma nova tentativa...”
-- Tudo bem, Márcia, escute o que quero que providencie...
xxxx
No saguão do aeroporto de Glasgow, eu esperava uma mulher alta de cabelos pretos e curtos e olhos verdes de uma pureza quase infantil. Quando ela apareceu por entre os passageiros que chegavam reparei o quanto estava destruída. A passos largos, alcancei-a num abraço forte.
-- Marta... Seja bem vinda... -- demorei-me no gesto, mas ao sentir seu desconforto em estar naquele local.
-- Podemos ir? Estou cansada... Da viagem.
As mãos tremiam. Não havia naquela mulher traços do que foi um dia. Recusava encarar-me diretamente. As olheiras tomavam conta do rosto pálido e o brilho juvenil dos olhos verdes tinha desaparecido. Os meus, imediatamente, encheram-se de lágrimas. Ela não sabia como estava sendo difícil, pra mim, vê-la naquele estado, ou talvez, soubesse, e isso fosse ainda mais difícil para ela por se achar a causadora desta dificuldade.
-- Claro... Vamos para casa...
E vi uma esperança tomar conta de mim ao perceber, bem lá no fundo daquele olhar morto, uma centelha de felicidade.
Estávamos quase chegando, quando ela tocou no assunto pela primeira vez.
-- Eu não deveria ter parado com os medicamentos... -- a voz saiu tão fraca que quase não escutei.
-- Achei que poderia controlar... Não agüentava mais a insônia, os tremores nas mãos... -- ergueu os membros e vi nitidamente sobre o que falava. -- Não conseguia me concentrar nas leituras... Achei que podia passar sem eles... Pare o carro... Eu preciso respirar...
Obedeci prontamente. Ela saiu do automóvel e vomitou. Corri para ajudá-la.
-- Eu não agüento mais isso!! -- apoiei o corpo magro. -- Não posso mais viver assim, Nanda... Preciso acabar com isso! -- as lágrimas eram muitas. -- Não devia ter vindo... Mas... Precisava...
-- Shhh! Nós vamos conseguir, amiga... Eu vou te ajudar. Alecky está doida pra te conhecer melhor, ela leu um dos seus livros sabia? Ficou encantada... -- enquanto eu falava, ajudava-a a entrar no carro novamente.
Ela me olhou por alguns segundos. -- Por que está fazendo isso?
-- Por que você é minha amiga... Me salvou naquele dia obscuro...
-- Não é isso que estou perguntando... Por que está fugindo?
-- Como assim? Fugindo de quê?
-- Da vida, Nanda... Por que fugiu da luta? Por que se trancou em casa ao invés de sair e tomar a chuva, sentir o vento... Ou ser atropelada, e daí? É a vida, Nanda... Por que a abandonou?
Engoli o choro. Aquela mulher agorafóbica sabia do que estava falando.
-- Olhe para mim, Nanda... Veja no que me transformei... Escrava do medo... Você está destruindo seu ser verdadeiro aos poucos... Eu estava lá e vi aquela criança olhar para você. A força daqueles olhos não era uma promessa.
O rumo daquela conversa estava me deixando doente. Marta pediu que eu parasse o carro novamente. Desta vez ficou dentro do carro.
-- Um dos motivos que me trouxeram aqui foi que precisava te alertar para o perigo de não enfrentar as situações, Nanda. É disso que sofro, mas resolvi acabar com isso, mesmo sabendo que não serei mais a mesma, porque demorei muito para admitir que estava doente. Pense no que está fazendo para não ter que aceitar o que sente. Não pode agir como se estivesse escrevendo um livro, como se tivesse o poder de decidir... E, principalmente, não leve com você quem não pode estar neste enredo. Não prive alguém de seguir o próprio destino e não sua rota de fuga! -- desta vez ela abriu a porta depressa e voltou a vomitar.
Eu não consegui me mover de onde estava. A cabeça dera uma volta de trezentos e sessenta graus.
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