quinta-feira, 21 de abril de 2011

UM CASO HISPÂNICO - CAPÍTULO XVIII

-- Quiero hacer amor... -- o espanhol apareceu para me deixar ainda mais excitada. -- Anda... Toma-me...
E a menina mulher arrancava minhas roupas com ânsia, descontroladamente, sem freios, como deve ser entre totalmente apaixonados. Eu reagi num impulso e a devorei pelo pescoço e rasguei sua blusa de fino tecido para engolir-lhe os seios pequenos já intumescidos.
-- Nanda... soy tuya... Pega-me... Te quiero... Dios... Te quiero mucho... -- a boca ávida massageava a minha com fúria incontida... -- Nunca mas diga me esto... Depois e antes de você, ninguém havia me tocado assim... -- estreitou-me no abraço e me empurrou para a cama. -- Nunca mas nadie me tocará...
A mistura de idiomas estava me entontecendo e perdi incontestavelmente a noção do que acontecia ou aconteceria dali por diante. Completamente nuas nos enroscamos entre pernas e braços fazendo com que nossos sexos se encontrassem, dando-nos uma descarga enorme de prazer.
-- Isso, minha pequena... Esfrega... esfrega... aí.... sim... -- abri mais as pernas para que ela se encaixasse melhor indo às alturas com o movimento.
--- Cariño... -- sua voz era apenas um gemido de prazer enquanto rebolava com pressa. -- Mi amor... te quiero... dentro... ahora.... mi vida... ahora... ah...
Não tinha outra escolha a não ser obedecê-la. Pus minhas mãos entre nossos sexos e alcancei o dela já vertendo o líquido precioso. Penetrei-a sem cuidado ouvindo-lhe o gritinho mágico provocando-me um tremor incontrolável. E ela subiu no animal alado, cavalgando-o com maestria, domando-o a seu bel prazer, usando meus cabelos como rédeas e meus lábios como fonte de respiração. Eu simplesmente desapareci no interior daquele pequeno ser divino. Não existia mais eu ou ela... Estávamos dentro uma da outra levadas pela febre daquele amor intenso. No momento de nosso gozo mútuo, senti as garras em minhas costas e a mordida em meu lábio inferior seguidos de um urro estarrecedor. Literalmente molhadas pelo orgasmo, lavamos o ato sexual com nossas lágrimas... As dela de contentamento... As minhas de uma dor infinita ao descobrir-me eternamente rendida àquela criança que insistia em me querer de forma tão visceral quanto inocente. Eu era dela e isso era bsolutamente tudo.
Deitadas, nossas respirações cadenciadas como uma só. Dispensávamos, por enquanto, qualquer palavra, até...
-- Precisamos conversar... -- ela aconchegou-se mais, mantendo o rosto enfiado entre meus seios e a mão em meu sexo, como da primeira vez. -- Primeiro quero te agradecer por me ajudar com o Pedro... Não entendo porque ele não me falou antes... Mas aquela ordinária não chega mais perto dele... Nem de mim... Isso eu já resolvi...
-- Ele tinha medo de te magoar... Me disse que, quando ela não estava, você parecia triste e distante...
-- Sim... Ela me distraia de alguma forma... Me fazia esquecer que... Que você estava longe e não queria me ver... -- beijou meu seio com volúpia. -- Agora sei que ela queria me afastar de Pedro... Disse que estava apaixonada, que não queria ninguém interferindo... Mandei-a a merda... Achei que fosse minha amiga... A única que tinha... -- deu um suspiro longo. -- Você vai voltar? Diga que não vai me deixar de novo... Por favor... -- senti os pingos se instalarem entre meus seios e escorrerem pelos cantos.
Não respondi. Coloquei-me por cima daquele corpo frágil tentando segurar o desejo que já tomava conta de mim.
-- Não quero falar... -- beijei-lhe a boca, enquanto encaixava mais uma vez nossos sexos molhados. -- Quero que me dê tudo, Tereza... Me faça feliz mais uma vez... Me ame de todas as maneiras que quiser... Pois vou te ter de todas as minhas maneiras...
Durante algumas horas passei de professora à aluna, de formas surpreendentes até para minha experiência máster. Ela era um tesouro incomensurável na cama. Colocava aquele calor, aquela fogueira em todos os gestos. Gritamos... Ardemos... Choramos... Cansamos... E dormimos sem estarmos satisfeitas ainda. E, no conforto daquele sono, nem imaginávamos que olhos tomados pela angústia e decepção nos observavam.

Manhã. A respiração gostosa daquela menina era minha música preferida. Eu a ouvia, desejando que não acordasse, pelo menos por enquanto, para que eu não visse naqueles olhos o pedido sofrido. Queria que estivesse ali em meus braços para sempre.
-- Não precisa disfarçar... -- ela levantou-se devagar. -- Não tem que me dar respostas. -- vestiu-se saiu sem que eu lhe dissesse qualquer coisa.

Me envolvi nos preparativos do aniversário de Pedro. Ele estava estranho de tão ansioso. O tempo todo perguntava quando o bolo chegaria. Depois ficou um tempão olhando para o portão esperando que alguém aparecesse. O tio Pepe chegou junto dele animando-o. Fiquei olhando para eles até que Tereza apareceu e tomou toda a minha atenção.
-- Posso ajudar em alguma coisa? -- ela perguntou me olhando bem nos olhos.
-- Temos que encher algumas bolas para enfeitar a mesa e colocar o bolo em cima dela. -- disse sem tirar meus olhos dos dela.
Foi nesse clima que o tio Pepe me fez uma estranha pergunta.
-- A que horas sua amiga vai chegar?
-- Amiga? -- eu não entendia a pergunta.
-- Sim... Se não me engano o nome é Alecky Farias, reconheci dos jornais no Brasil quando ela apareceu ao seu lado. Ela esteve aqui ontem, pediu para subir e te fazer uma surpresa, mas desceu logo depois dizendo que você já dormia e que te ligaria hoje para confirmar a hora do aniversário.
Meu olhar para Tereza era de pânico e o dela de tristeza por saber que aquilo me afastaria mais ainda dela. Disfarcei o desconforto com a notícia e inventei uma desculpa dizendo que ela tinha ligado para se desculpar por não poder vir por causa de um imprevisto. Me afastei para poder ligar para ela, mas o celular estava fora de área ou simplesmente ela não queria falar comigo. Liguei para o fixo e ninguém atendeu. Tentei falar com Marta, também não consegui. Fui abordada por Pedro que queria me apresentar os amigos da escola. Tinha ido à Espanha por causa dele e o faria feliz no seu aniversário. E o dia se transformou numa grande tortura.

Fim de festa. Apesar de serem apenas oito horas da noite, os tios e Pedro já tinham se recolhido. Não tinha reparado que Tereza também tinha ido dormir, então subi as escadas com o pensamento em Alecky, em como ela estava se sentindo porque eu tinha certeza que ela tinha me visto com Tereza.
Abri a porta do quarto com desanimo quando senti meu corpo ser envolvido por braços pequenos e quentes.
-- Tereza, por favor... -- ela foi mais rápida e alcançou meus lábios, me deixando sem defesa.
-- Sei que irá atrás dela... -- as mãos já se encarregavam de me despir. -- Mas hoje... Agora... Você será só minha... Uso as armas que tenho, cariño... Sãos as únicas ... -- encontrou meus seios com lábios trêmulos.
-- Tereza... Tereza...
-- Não quero suas palavras... Quero seu gozo na minha boca...
Eu não tinha mais controle. Era um animal domesticado que obedecia sua dona com fidelidade. Deixei que fizesse tudo e fiz tudo que me ordenou.

Ver o corpo nu em sono profundo e marcado pelas loucuras da paixão não facilitavam em nada a minha saída. Pus o envelope junto com uma caixinha no travesseiro que usei junto com uma rosa vermelha.
Um sentimento de vazio enorme me levava para o aeroporto de volta para casa. Olhando o céu da janela do avião lembrei-me das palavras que escrevi naquele papel...
“Nada ocupará mais meu coração que o amor que sinto por você. Um dia entenderá porque não fiquei e um dia, também, terá de fazer a escolha. Você e Pedro são minha família, nunca haverá outra, mas o fato de eu ser uma mulher e você uma menina que precisa viver mais e saber mais são os motivos que me levam a crer que não daria certo. Faça-me feliz sendo feliz.
P.S.: O anel é um presente para te agradecer pelos melhores momentos de minha vida. Te amo.”

Ao abrir a porta de casa, a cena que vi me trouxe o coração à boca. No sofá, Marta apoiava a cabeça de uma Alecky adormecida em seu colo. Pude ver ainda resquícios de um pranto a molhar seus olhos e o que mais me espantou: os olhos tristes de minha amiga também vertiam longas lágrimas.
Percebendo minha presença, ela delicadamente acomodou Alecky no sofá e veio em minha direção soltando a mão no meu rosto, acabando por me fazer ficar mais atônita ainda.
-- Você é uma cretina... -- rosnou para não fazer barulho. -- O tapa é por Alecky, porque sei que ela não o faria... Talvez há alguns meses atrás, mas hoje não... Olhe para ela... Reconhece a sua amiga, sua amante... A mulher forte e carinhosa foi assassinada por sua debilidade mental... Estou saindo do seu apartamento porque não quero ficar para ver você se desculpar como uma idiota, mas lhe aviso... Vou tirá-la disso custe o que custar!
O tom de voz mais alto fez com que Alecky despertasse.
-- Marta?
Esta se debruçou sobre a mulher e fez-lhe carinho nos cabelos. -- Está tudo bem, querida... Eu volto amanhã pra te ver... -- beijou-lhe a testa e saiu sem se despedir de mim.

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