VOCÊ...
Uma semana tentando compreender tudo, tentando sair da caixa fechada onde me puseram atada em correntes e lançada ao mar. Assim me sentia: um Houdini que nunca aceitou o fracasso, nem de si, nem de ninguém. Não queria afundar. Não podia. Entrei em contato com todos os órgãos que poderiam me ajudar no caso, mas eles me davam sempre a mesma resposta: esperar. Já estava de malas prontas para partir em busca de meus direitos, quando a campainha tocou. Seu chefe estava parado na nossa porta. Olhar sério, me cumprimentou e perguntou se poderia entrar um pouco.
-- Fique à vontade. -- respondi sem entusiasmo.
Ele sentou no sofá, pôs a mão no bolso do paletó e, o que retirou de lá colocou em minhas mãos.
-- Encontraram isso num corpo carbonizado que foi desovado na frente da embaixada americana em Telaviv...
Deus, eu sabia o que era. Eu não precisava olhar para saber que encontraria o seu cordão de ouro com o pingente... as letras F e L entrelaçadas. E Houdini finalmente fora vencido.
A CERIMÔNIA...
Não permiti parentes que não fossem Marina, Sílvia, Lúcia e Lídia, Jorge (nosso “parteiro” e padrinho de um gêmeo), seu chefe e Bertha. Cuidei de tudo pessoalmente, e o encargo mais difícil foi ter que contar a nossos filhos o que acontecera. Gian esperava o que quer que fosse. Me olhava com atenção e resignou-se com as respostas dadas, apesar de me comover ao enxugar minhas lágrimas com mãozinhas frias depois do que fora dito, e me revelar em redondas palavras movidas ao choro fraquinho que tudo ficaria bem. Giovanna... Ah, nossa menina... Perder lhe era praticamente inaceitável. O verde dos olhos era duro como que irritado. Estava com raiva e eu não poderia, ali, naquele momento, dissipar-lhe a reação. Nada disse, nem chorou, e ficou assim todo o tempo do funeral.
Por fim, levamos suas cinzas para casa e, lá, no mar que você me entregou um dia, eu e nossos filhos largamos teu corpo para que descansasse em paz. Giovanna foi a primeira a se retirar. Gian segurou minha mão e ficou até que decidi, também, voltar pra dentro de casa. Ele mantendo a segurança que ameaçava me deixar. Olhei-o com amor, pois nele via uma atitude que seria sua. Nunca me abandonaria. Em seus olhos que eram meus, recebi a mensagem que sempre nos dissemos: vamos continuar mais fortes, mesmo que um de nós não esteja mais. Abracei-o fortemente, beijando-lhe com intensidade.
-- Te amo, meu menino... muito...
xxxx
O grito ecoou nítido até pra meu sono de calmantes. Corri sem demora para o quarto dos gêmeos. Nossa menina se debatia na cama chorando e gritando ao mesmo tempo. Abracei-a com força, pedindo calma, mas ela continuava a se debater, te chamando num esforço inútil. Ela te chamava de mentirosa, quando percebi que nossa menina ardia em febre.
No hospital...
-- Cris? -- a mão quente de Lúcia me tocou o ombro.
-- Ela está bem... está dormindo e a febre cedeu... precisa buscar ajuda. Tenho um amigo de mestrado... Psicólogo infantil... pega... -- me entregou o cartão. -- Você também... olhe para suas mãos... elas tremem, você inteira está tremendo... vai estourar a qualquer momento e, assim sendo, o estrago será muito maior...
Eu não queria ouvir aquilo, mas de repente meu corpo não parecia mais obedecer. Vi Lídia se aproximar e com ela Marina e Sílvia. Me seguraram pelo braço e, junto com Lúcia, me levaram até um quarto.
-- Onde estão me levando? Não quero! Não quero ficar aqui! Quero voltar para casa!
Vi as lágrimas nos olhos de Lídia... “Sinto muito...” foram as palavras dela antes de eu sentir a picada de agulha e cair num sono profundo.
xxxx
Acordei sobressaltada, sendo amparada por Lídia. Lúcia havia entrado neste momento seguida de um médico.
-- Como ela está? -- Lúcia se dirigiu a Lídia.
-- Acabou de acordar assustada.
Minha cabeça dava voltas, e eu não conseguia ainda concatenar idéia alguma até que meus sentidos foram normalizando e me lembrei de tudo o que aconteceu. Olhei-as com olhar rancoroso. Lídia baixou a cabeça e Lúcia me encarou firmemente como era de se esperar.
-- Bem, me parece que voltou a ser a velha Cris... Se criticar vai te fazer bem, o faça. Quer nos processar? Fique à vontade... Tente fazer de novo e vai acontecer a mesma coisa! Até você parar de se sentir a dona da dor inteira! Até você enxergar um palmo a mais diante dessa sua prepotência em achar que é a maior coitadinha do mundo! Nós a perdemos também!
Lúcia saiu acompanhada de Lídia que a seguiu preocupada, antes que eu pudesse me recuperar das palavras marcantes. O médico apenas assistia. Olhou-me com curiosidade e com a imparcialidade de quem nada tinha a ver com o caso. Aproximou-se e, sem pedir permissão, me examinou.
-- Bom, Cristiane... Você está aqui há três dias. Tem sido monitorada constantemente e, acredito, o nível de estresse baixou consideravelmente. A sonoterapia ainda é uma ciência nova, mas tenho certeza que te ajudou a permanecer no eixo. Se você tivesse entrado em colapso, como fatalmente aconteceria se Lúcia não tivesse feito a loucura que fez pondo em risco sua licença médica, tua recuperação seria muito mais difícil, dolorosa e, principalmente, demorada... O que são três dias para quem poderia passar três meses ou mais longe de tudo? -- anotou alguma coisa no prontuário e saiu sem mais palavras.
xxxx
Estava pronta para sair do hospital. Não permiti a presença dos gêmeos lá. Não queria que me vissem do jeito que estava. Meu corpo estava reagindo bem. Não sentia mais como se fosse sumir de repente, nem dormência nas pernas, braços, nem os tremores. Mas meu peito ainda se comprimia cada vez que me lembrava de você. Respirei fundo e saí pronta para ter uma conversa séria.
-- Cris? -- Lídia abriu a porta surpresa.
-- Onde está sua esposa? -- minha voz saiu fria e sem emoção, vi a consternação e o desânimo num suspiro cansado dela.
-- Cris, olha, nós...
Me adiantei até ela ...
-- Onde está sua esposa? -- falei mais baixo e tentando não me irritar.
-- No quarto de Carol... -- respondeu, mas antes de eu ir ao encontro de Lúcia avisou. --Veja bem o que vai dizer, Cristiane... É a mulher que eu amo... é a minha vida...
Diante daquelas palavras meu coração se condoeu um pouco... um pouco de inveja, mas passou logo e fui até o quarto indicado. A porta estava entreaberta, empurrei-a com cuidado, pois era o quarto de Carolzinha a filha delas. Minha afilhada podia estar dormindo. Vi Lúcia com as mãos apoiadas no berço olhando para uma menininha de quase três anos, de cabelos loiros como os de Lídia, mas olhos negros como os seus. A garotinha apertava uma bola de pelúcia e tentava dizer a palavra do objeto.
-- Hora da soneca mocinha... não tente me enganar com essas palavrinhas babentas... Já basta sua mãe que consegue me tirar até do juízo... Te amo, meu amor... Dorme... Beijou-lhe a testa e se virou, me encontrando parada na soleira da porta.
-- Podemos conversar? -- o sorriso amargo aflorou em seu rosto.
-- Como recusar? Estou em suas mãos... Veio me dizer que eu fui estúpida...
-- Sim! -- me aborreci novamente. Ela continuou com o riso no rosto, mas junto com ele uma lágrima escorreu sorrateira. -- Estúpida o suficiente para colocar a sua felicidade e da sua família em risco só pra ajudar uma teimosa, prepotente e mal agradecida!
Fui até ela e abracei-lhe com carinho, logo após senti o abraço de Lídia que, zelosa, me seguiu para se certificar de tudo. Ficamos num abraço único e cheio de afeto. Era minha família. Então ouvimos uma vozinha chamar...
-- Dinda!
Caímos na gargalhada e fizemos festa pra “galeguinha” mais sabida do mundo.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
ENDLESS LOVE VOL. III - CAPÍTULO V
A boate estava muito cheia, o suficiente para me deixar nervosa. Você percebeu e segurou minha mão, apertando forte. Encontramos um lugar bem discreto. Sentamos. A música parecia bater dentro de mim inteira, numa vibração alucinógena. Teu corpo começava a reagir aos apelos das pancadas, e minha fantasia estava prestes a ser realizada. Vi com prazer teu corpo levantar e se insinuar descaradamente para mim, indo totalmente contra ao ritmo frenético do bate-estaca. Suavidade... Lentidão... Encostei meus lábios em seu ouvido...
-- Vou pegar um drink pra gente... Não saia daí... -- lambi vagarosamente de sua orelha até sua boca dando-lhe um beijo molhado.
No bar, sentei de modo que pudesse observá-la. Continuava dançando. Fiz o pedido enquanto discava um número em meu celular.
-- Manda a música... -- desliguei e me voltei para ver tua imagem quando a voz de Sade (By your side) te fez mirar diretamente a mim.
Me virei para o barman, segurei meu drink e apreciei cada movimento seu. Teus olhos me chamavam, teu corpo me chamava. Uma mulher se aproximou vagarosamente de ti, te rodeando, mas sem tocar. Meu olhar não desgrudava do seu. A comunicação era plena e, com um simples e discreto acenar de cabeça, te revelava a segunda parte de minha fantasia. O espetáculo era seu... Você comandava. Numa infinita sucessão de gestos sensuais, era criada uma dança voluptuosa. A mulher tinha uns olhos lascivos para tuas carnes. Chegava perto... Teu pescoço... Mãos que não percorriam, mas incendiavam apenas na intenção. Por um momento você se dedicou a dançarina a sua volta, se envolvendo até retroceder a minha imagem sentada naquele bar.
Levantei lentamente de onde estava e fui me aproximando. A voz de Sade se retirou no momento em que, sem precisar dizer nada, afastei a intrusa. Coloquei a marguerita em sua mão, a qual você sorveu de um gole só.
-- Sede... -- lambeu os lábios me provocando.
-- Quero você agora... -- eu sussurrei com a boca colada na sua.
-- Sim... vamos pra casa... Segurei suas mãos apertando-as com força.
-- Não... quero aqui... agora... Sem que você esperasse te empurrei para o canto escuro que ficava entre a mesa e a pista de dança te imprensando contra a parede.
-- Está louca... -- tua voz quase não saía de tanto tesão enquanto eu já te acariciava sem o menor cuidado entre as pernas, puxando tua calcinha pro lado.
-- Bendito vestidinho curto...
-- Endless... espera...Ahhh! -- meus dedos já mergulhavam em teu buraco quente e úmido com força.
-- Vem...Vem...
Me esfregava em tua coxa já sentindo as contrações de tua vagina em meus dedos. Mordia seu ombro, chupava teu pescoço (que puta marca eu deixaria para seu total descontentamento no dia seguinte), e teu orgasmo maravilhoso encharcou minha mão para seu desespero.
-- Merda! Me molhei toda...Vai ficar aparecendo...
Te beijei, agora com carinho, retirei meu casaco comprido e te cobri.
-- Vamos... minha fantasia ainda está longe de se realizar...
EU...
Quando abri meus olhos, surpreendentemente, encontrei os seus numa interrogação explícita.
-- Aquela mulher foi coisa sua, não foi?
Toquei seu rosto com extrema suavidade. -- Ela não faria nada que você não quisesse.
-- Eu percebi. -- o silêncio perdurou até minha pergunta.
-- Você não gostou? -- me preocupei com a resposta.
-- Sim, mas...
-- Mas?
-- Não gostaria de repetir, entendeu? Nunca mais... a única mulher que pode agir daquela maneira comigo é você... só você...
Aproximei mais o meu rosto do seu e respondi encantada.
-- Acaba de encerrar com chave de ouro a última etapa de meu sonho... Não esperaria outra resposta de sua parte.
VOCÊ...
Segunda-feira já era por si só um dia preguiçoso, para mim estava sendo pior que isso, pois mais algumas horas e você estaria longe de mim outra vez. Acordei antes que você. Fiquei te olhando, procurando entender como eu havia me entregue desta maneira a alguém. Lembrei de nossa farra no sábado. A sua coragem em me deixar a mercê daquela mulher. Não minto que me excitei ao extremo, mas não me senti muito confortável. A cena só teve efeito porque podia ver o fogo que te consumia me vendo dar bola para ela. E a loucura de me ter ali mesmo, meu Deus! Sorri... Maluca... E no motel então? Me esgotou ao ponto de sentir um desconforto ao sentar no outro dia. Pior foi a zoação das meninas ao perceberem a bendita marca arroxeada em meu pescoço. Agora eu sentia a grande tristeza que era esperar tua partida e imaginar quando teria você perto. Quando você me faria de novo e de novo experimentar as mais incríveis sensações. Um nó na garganta... E teus olhos me encontram assim, com a dor estampada nos meus.
-- Vem cá... -- me apertou nos braços como só você. --Te amo, minha vida... Estamos quase lá... mais alguns meses e estaremos bem juntinhas... enquanto isso vai preparando a caixa de mensagens... e o coraçãozinho pras surpresinhas que ainda pretendo te fazer...
-- Quer levantar agora? -- perguntei desejando que sua resposta fosse não.
-- Os meninos já foram para a escola?
-- Não tem aula hoje. -- disse já com a cara enfiada em seu pescoço.
-- Que bom... podemos ficar mais na cama... passar o dia inteirinho juntas, passear com eles, fazer algo divertido...
Passamos o dia entre a cama e os gêmeos até a hora da partida.
FINALMENTE, A VOLTA...
“Ela está voltando...” este pensamento me invadia de quando em quando com uma força total. Mais um dia e a tortura acabaria. Já tinha encomendado algumas surpresas para você. Isso me assustava. Eras a rainha das surpresas, o que eu poderia fazer de tão extraordinário que pudesse competir? Mil coisas na cabeça e o coração quase em taquicardia. Verifiquei mais uma vez a lista de providências e resolvi tomar um banho. Quantas horas nos separavam da felicidade completa? Apenas vinte e cinco, e levamos dez meses e onze dias para alcançarmos esta distância. O telefone me tirou dos sonhos e corri apressada em atendê-lo na expectativa de ouvir sua voz.
-- “Cristiane, quem fala é o boss... Ouça com atenção...”
Depois destas palavras me vi jogada de supetão na irrealidade completa, como se acabasse de ter desligado a TV depois de um filme emocionante e romântico e encarado a dura sensação de me sentir humana. Não entendi mais o que me diziam. Jatinho... Antecipou a viagem... Carona com os israelenses... Sequestro... Terroristas... Inteligência americana... Mortos... Levados como reféns... Via Marina... Sílvia... Lúcia... Lídia... A TV ligada... Os nomes dos que faleceram... Meus olhos tensionados na tela... O primeiro nome... Glória... Meu coração querendo sair pela boca... Projetista seqüestrada... Teu nome... Olhei a todos estranhada... Meus lábios não conseguiam pronunciar o que eu sentia... A esperança... Você estava viva... Até quando?
-- Vou pegar um drink pra gente... Não saia daí... -- lambi vagarosamente de sua orelha até sua boca dando-lhe um beijo molhado.
No bar, sentei de modo que pudesse observá-la. Continuava dançando. Fiz o pedido enquanto discava um número em meu celular.
-- Manda a música... -- desliguei e me voltei para ver tua imagem quando a voz de Sade (By your side) te fez mirar diretamente a mim.
Me virei para o barman, segurei meu drink e apreciei cada movimento seu. Teus olhos me chamavam, teu corpo me chamava. Uma mulher se aproximou vagarosamente de ti, te rodeando, mas sem tocar. Meu olhar não desgrudava do seu. A comunicação era plena e, com um simples e discreto acenar de cabeça, te revelava a segunda parte de minha fantasia. O espetáculo era seu... Você comandava. Numa infinita sucessão de gestos sensuais, era criada uma dança voluptuosa. A mulher tinha uns olhos lascivos para tuas carnes. Chegava perto... Teu pescoço... Mãos que não percorriam, mas incendiavam apenas na intenção. Por um momento você se dedicou a dançarina a sua volta, se envolvendo até retroceder a minha imagem sentada naquele bar.
Levantei lentamente de onde estava e fui me aproximando. A voz de Sade se retirou no momento em que, sem precisar dizer nada, afastei a intrusa. Coloquei a marguerita em sua mão, a qual você sorveu de um gole só.
-- Sede... -- lambeu os lábios me provocando.
-- Quero você agora... -- eu sussurrei com a boca colada na sua.
-- Sim... vamos pra casa... Segurei suas mãos apertando-as com força.
-- Não... quero aqui... agora... Sem que você esperasse te empurrei para o canto escuro que ficava entre a mesa e a pista de dança te imprensando contra a parede.
-- Está louca... -- tua voz quase não saía de tanto tesão enquanto eu já te acariciava sem o menor cuidado entre as pernas, puxando tua calcinha pro lado.
-- Bendito vestidinho curto...
-- Endless... espera...Ahhh! -- meus dedos já mergulhavam em teu buraco quente e úmido com força.
-- Vem...Vem...
Me esfregava em tua coxa já sentindo as contrações de tua vagina em meus dedos. Mordia seu ombro, chupava teu pescoço (que puta marca eu deixaria para seu total descontentamento no dia seguinte), e teu orgasmo maravilhoso encharcou minha mão para seu desespero.
-- Merda! Me molhei toda...Vai ficar aparecendo...
Te beijei, agora com carinho, retirei meu casaco comprido e te cobri.
-- Vamos... minha fantasia ainda está longe de se realizar...
EU...
Quando abri meus olhos, surpreendentemente, encontrei os seus numa interrogação explícita.
-- Aquela mulher foi coisa sua, não foi?
Toquei seu rosto com extrema suavidade. -- Ela não faria nada que você não quisesse.
-- Eu percebi. -- o silêncio perdurou até minha pergunta.
-- Você não gostou? -- me preocupei com a resposta.
-- Sim, mas...
-- Mas?
-- Não gostaria de repetir, entendeu? Nunca mais... a única mulher que pode agir daquela maneira comigo é você... só você...
Aproximei mais o meu rosto do seu e respondi encantada.
-- Acaba de encerrar com chave de ouro a última etapa de meu sonho... Não esperaria outra resposta de sua parte.
VOCÊ...
Segunda-feira já era por si só um dia preguiçoso, para mim estava sendo pior que isso, pois mais algumas horas e você estaria longe de mim outra vez. Acordei antes que você. Fiquei te olhando, procurando entender como eu havia me entregue desta maneira a alguém. Lembrei de nossa farra no sábado. A sua coragem em me deixar a mercê daquela mulher. Não minto que me excitei ao extremo, mas não me senti muito confortável. A cena só teve efeito porque podia ver o fogo que te consumia me vendo dar bola para ela. E a loucura de me ter ali mesmo, meu Deus! Sorri... Maluca... E no motel então? Me esgotou ao ponto de sentir um desconforto ao sentar no outro dia. Pior foi a zoação das meninas ao perceberem a bendita marca arroxeada em meu pescoço. Agora eu sentia a grande tristeza que era esperar tua partida e imaginar quando teria você perto. Quando você me faria de novo e de novo experimentar as mais incríveis sensações. Um nó na garganta... E teus olhos me encontram assim, com a dor estampada nos meus.
-- Vem cá... -- me apertou nos braços como só você. --Te amo, minha vida... Estamos quase lá... mais alguns meses e estaremos bem juntinhas... enquanto isso vai preparando a caixa de mensagens... e o coraçãozinho pras surpresinhas que ainda pretendo te fazer...
-- Quer levantar agora? -- perguntei desejando que sua resposta fosse não.
-- Os meninos já foram para a escola?
-- Não tem aula hoje. -- disse já com a cara enfiada em seu pescoço.
-- Que bom... podemos ficar mais na cama... passar o dia inteirinho juntas, passear com eles, fazer algo divertido...
Passamos o dia entre a cama e os gêmeos até a hora da partida.
FINALMENTE, A VOLTA...
“Ela está voltando...” este pensamento me invadia de quando em quando com uma força total. Mais um dia e a tortura acabaria. Já tinha encomendado algumas surpresas para você. Isso me assustava. Eras a rainha das surpresas, o que eu poderia fazer de tão extraordinário que pudesse competir? Mil coisas na cabeça e o coração quase em taquicardia. Verifiquei mais uma vez a lista de providências e resolvi tomar um banho. Quantas horas nos separavam da felicidade completa? Apenas vinte e cinco, e levamos dez meses e onze dias para alcançarmos esta distância. O telefone me tirou dos sonhos e corri apressada em atendê-lo na expectativa de ouvir sua voz.
-- “Cristiane, quem fala é o boss... Ouça com atenção...”
Depois destas palavras me vi jogada de supetão na irrealidade completa, como se acabasse de ter desligado a TV depois de um filme emocionante e romântico e encarado a dura sensação de me sentir humana. Não entendi mais o que me diziam. Jatinho... Antecipou a viagem... Carona com os israelenses... Sequestro... Terroristas... Inteligência americana... Mortos... Levados como reféns... Via Marina... Sílvia... Lúcia... Lídia... A TV ligada... Os nomes dos que faleceram... Meus olhos tensionados na tela... O primeiro nome... Glória... Meu coração querendo sair pela boca... Projetista seqüestrada... Teu nome... Olhei a todos estranhada... Meus lábios não conseguiam pronunciar o que eu sentia... A esperança... Você estava viva... Até quando?
sábado, 29 de janeiro de 2011
ENDLESS LOVE VOL III - Capítulo IV
QUINZE DIAS DEPOIS
Ali, em nosso quarto, fiquei observando teu corpo nu. Eu já estava de saída e esta era a visão que ficaria cravada em minha mente. O quadro que me daria forças para encarar todos os dias de solidão.
Combinamos de não haver despedidas. Fizemos amor como loucas. Te cobri com o edredom e, ao fazê-lo, recebi teu abraço gostoso que retribui com um beijo longo em teu pescoço.
-- Hasta la vista, mi corazón...-- te disse com o peito comprimido.
-- Hasta la vista, cariño... -- tua voz de sono como sempre amei.
VOCÊ...
A noite antes de você partir havia sido intensa. Meu corpo ainda absorvia a força e o carinho dos toques, a sagacidade das inúmeras danças e gostos. Despertei imediatamente após teus braços me abandonarem na cama, mas fingi que dormia. Sei que não queria despedidas. Combinamos. Fiquei deitada ouvindo cada ruído feito por você, até o momento em que ficou me observando e se aproximou para me cobrir, então não resisti mais e te abracei, já carente de tua presença. Teus lábios em meu pescoço me deram força para enfrentar nossa batalha e dissemos palavras de amor. Deixei que você fosse por amor de nossa vida juntas, mas meu coração se contorcia de saudades. Eu não havia dito, mas você não seria a única a sofrer com esta separação.
Depois de algum tempo, me levantei para ver os gêmeos e a sensação de vazio foi quase que anulada. Lá estavam dois pedaços lindos de você. Bertha já havia chegado, dava pra sentir o cheiro bom que vinha da cozinha. Teria que acordá-los, uma tarefa que era sua. Dava-lhes banho, vestia-os, acompanhava-os no desjejum e, antes de levá-los para a escola, vinha me mimar com um carinho que dificilmente deixava de acontecer. Lágrimas vieram rápidas e me perguntei surpresa, o que estava acontecendo comigo. Nem percebi Giovanna perguntar por você, ainda sonolenta.
-- Tem que acordar o Gian ou ele vai se atrasar... mamãe Endless acorda ele primeiro.
Tentei algumas vezes sem sucesso.
-- Mami, tem que por ele no colo, tirar o pijama e massagear as costas dele.-- ela mais uma vez me dando a dica.
Giovanna já tomava o banho.
-- É dia de lavar o cabelo, mocinha?
Ela gritou do banheiro que a aula de futebol era hoje e não adiantava lavar antes da escola. Uma senhorita cheia de responsabilidades. Gian já pegava seu material e separava a farda, metódico, organizado. Giovanna apareceu já quase vestida, pegou a escova de cabelo e me entregou.
-- Dia de futebol tem trança.
Sentou no meu colo me dando as costas e esperou. Momentos que você vivia todos os dias e que eu estava adorando viver pela primeira vez. Estavam prontos e seguiram para a cozinha. Bertha aguardava com o desjejum pronto. Voltei pro quarto para me arrumar ou eles se atrasariam e eu também. Qual não foi minha surpresa encontrar uma caneca com leite queimado e canela, fumegante. Um bilhete acompanhava o presente...
“Toma todo porque sei que está atrasada (rsrsrsrs!!), espero que Bertha tenha acertado o ponto. Bom dia, minha vida! Aposto como adorou acordar nossos bebês...eles são muito responsáveis...te dou um beijo gostoso agora e desejo que o dia seja interessante. Não sei se Giovanna lhe informou, mas ela tem futebol hoje. O material já está arrumado em cima da cômoda deles... te amo...” -- meu coração estava em festa. -- “P.S.: tem uma surpresinha pra você na gaveta do criado mudo do lado que você dorme... espero que goste... Bjs.”
Depressa, retirei a caixinha de veludo azul e uma rosa de mesma cor amarrada a outro bilhete. Abri-a e uma corrente de ouro saiu de lá. Um pingente com as letras “E” e “L” entrelaçadas. No bilhete...
“Gostaria de estar aí para colocá-lo pessoalmente... usa sempre, porque vou passar a eternidade com o meu... te amo... nunca esquece... sua Endless Love.”
DIAS... MESES... O TEMPO PASSANDO... E A SAUDADE...
Mais de dois meses e ainda não conseguíamos tempo para nosso primeiro encontro. No trabalho tentava me concentrar e era o que me ajudava a não pensar na sua falta. No meio desses devaneios, o sinal de mensagem em meu celular me assustou. Era você... Meu sorriso estava de volta...
-- “Bom dia, minha linda esposa... como está o céu aí? Espero que esteja azul... Pode conferir pra mim?”
Guiada por suas palavras, fui até a janela e ergui a cabeça para te informar e o que vi foi sem precedentes. Escrito com fumaça, o seu recado... “Te amo... E.L.”
-- Sua louca! -- murmurei baixinho.
Mais um sinal de mensagem...
-- ”Louca por você... sempre...
E gargalhei como havia tempo não fazia, deixando o pessoal do escritório sem entender com exceção de Lídia que já se acostumara com suas maluquices.
O celular tocou e atendi prontamente.
-- Oi... -- meu coração veio a boca ao ouvir sua voz.
-- Que idéia mais maluca...
-- É culpa sua, você me inspira a fazer essas coisas... vou estar no skype mais cedo para ver nossos filhos e, depois, quero uma sessão a sós ... quero fazer amor...
Eu sorri envergonhada. Isso mesmo: envergonhada.
-- Sabe o que acho de fazer isso pela net...
-
- Por favor, vida... faz isso por mim... se ficar muito ridículo a gente dá uma boa gargalhada e se despede, certo?
Dei uma pausa de alguns segundos antes de concordar.
-- Está bem, sua louca... -- ouvi o risinho vitorioso do outro lado.
-- Só por você, meu amor... um beijo... até mais tarde...
-- Beijo... te amo... -- achei que não tinha ouvido, pois demorou a responder.
-- Eu sei... -- um sussurro meio sufocado veio como resposta e desligamos emocionadas.
As crianças se divertiam com você. Mostrou para elas uns brinquedos que comprou. De repente percebi o ambiente escuro em que você estava. Perguntei e me disse que estava fora do quarto para ter mais privacidade para mais tarde e senti a malícia na voz. Me arrepiei inteira. Você se despediu das crianças e me pediu para me preparar. Desconectou dizendo que em meia hora retornava. Suspirei, já prevendo como seria difícil te atender nesse pedido.
Sexta-feira, noite clara de lua. Gostávamos assim... Romântico... Muitas vezes passeávamos pela praia antes de... Só de pensar me sentia quente. Depois de um banho demorado, vesti a camisola que você me deu antes de viajar. Lembrei da última noite. Posicionei o notebook no meio da cama e conectei. Você já aguardava.
-- Deus! Valeu cada minuto de espera... você está linda... minha esposa linda...
Só estas palavras já me encheram de um tesão descontrolado. Vi em seus olhos um furacão prestes a me devastar inteira.
-- Eu te quero tanto...
Ao dizer estas palavras, sua imagem sumiu da tela.
-- Que houve, Endless? -- perguntei, já mexendo na webcam.
-- Não sei, acho que minha câmera pifou... Droga! Só tem uma maneira de poder te ver...
Me levantei da cama irritada quando a porta do quarto se abriu e você entrou me matando de susto e de prazer.
--... ao vivo e a cores...
Corremos para os braços uma da outra.
-- Achou mesmo que me contentaria em te amar a distância? Estava mesmo disposta? -- disse que sim bem baixinho, escondendo meu rosto em seu ombro para que não visse a vermelhidão que o constrangimento me causava. -- Eu nunca faria você passar por isso, vida... sei o quanto preza sua intimidade... é uma das infinitas coisas em você que eu admiro... amor com você, só assim... olho no olho... corpo no corpo... mas é bom saber que você transporia essa barreira por mim... prova de amor... acho que abusei, não foi?
-- Mais do que imagina... mas amo quando me faz sentir emoções fortes... amo esse seu jeito de me dar essas surpresas... como conseguiu?
Você se separou de mim, acariciou meu rosto com carinho. Seus dedos tremiam. Vi uma lágrima rolar e a impedi de seguir o rumo até seu queixo.
-- Me matei de trabalhar e adiantei o projeto em um mês... fui premiada com esse fim de semana só para nós...-- você levou minhas mãos à boca, beijou-as com cuidado e apertou-as contra seu seio. -- Então, minha doce ama... estou aqui... diga-me o que quer de sua aia e ela satisfará cada desejo...
Sorri o mais safado que pude e respondi já te puxando para a cama.
-- Vai ter que adivinhar cada um, linda...
E você adivinhou todos. Nunca estive tão feliz em estar estupidamente exausta. Quando te olhei pensei que estivesse dormindo, a viagem e tudo o mais que você inventou durante o dia poderia ter te derrubado, mas não, me olhava com tanto sentimento que me fez aninhar-me mais em seus braços.
-- Cansada? -- perguntei por perguntar.
-- De você, nunca... mas confesso que adoraria um banho... vem comigo?
Não recusaria esse pedido por nada, afinal o queria tanto quanto você. Nos demos massagens. Ficamos quietas por minutos infindáveis na banheira de água quente e aromática. Trocamos as roupas de cama, colocamos pijamas confortáveis e nos preparamos para o desejado descanso, quando...
-- Mamãe Endless?!!
Continua...
Agradecendo a Elis que, carinhosamente, lembrou-me que tenho um blog! (rsrsrsrs!!!) e, também a Nicole... Minha seguidora... Nem esperava... Mas mantendo minha filosofia, reintegro aqui que após o fim desta saga virão outras histórias. Não deixarei que vossa "seguidoria" seja em vão.
Meus melhores sentimentos para todas.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
ENDLESS LOVE VOL III - Capítulo III
Meia hora depois já estávamos no carro. Coloquei uma manta grossa em suas pernas...
-- Pra quê isso? -- a pergunta foi feita enquanto eu reclinava sua poltrona e te cobria até o pescoço...
-- Pra você descansar mais um pouco... sabe que me preocupo...
Beijei teus lábios com carinho, fixei meus olhos nos teus e repeti a frase que mais preciso falar quando estamos juntas... “Te amo...” voltei a te beijar, mas dessa vez com mais intensidade. Partimos. No caminho recebi algumas ligações do boss. Estranhei ele me ligar pessoalmente já que estava afastado dos negócios há muito tempo. Resolvi não atender pra não atrapalhar seu sono, ligaria da chácara.
Mal estacionamos e já ouvíamos os gritos de Giovanna que, simplesmente, te atacou com perguntas e exigências, e reclamações e muitos beijos. Era nossa garota.
-- Onde está seu irmão? -- tua pergunta demonstrava preocupação.
-- Está com Sílvia e Biel cuidando do pônei... não se preocupe, ele não montou...-- Marina respondia ao nos abraçar.
Vi você seguindo para os estábulos com pressa, então aproveitei para falar com o boss. Depois de quinze minutos da minha conversa com ele, minha cabeça fervia com pensamentos mil. Fui te procurar para contar a novidade, mas tive que parar embasbacada com o que via a minha frente: você montada num alazão negro, cavalo de Sílvia, com nosso menino na frente seguro por teu braço. Os risos de vocês eram idênticos. O brilho dos olhos, o formato dos dentes. Naquele momento entendi seu jeito de amar nosso filho. Minha garganta doía tentando conter o choro de emoção porque um sorriso imperioso tomava conta de mim. Nosso menino me viu e acenou gritando que estava montando. Vi quando você desmontou e veio em minha direção abraçada a ele.
-- Será um excelente cavaleiro... -- me beijou de leve envolvendo minha cintura com seus braços.
-- Se puxar a você, com certeza... precisamos conversar... -- sussurrei em seu ouvido e entramos.
Jantamos todos juntos. Sílvia contava de como Biel tinha jeito com animais e estava animada com um futuro “sócio”. Ajeitamos nossos bebês para o sono. Marina e Sílvia se despediram e foram para a cama também. Peguei uma garrafa de seu vinho preferido, duas taças, roupões e toalhas, e levei tudo para a piscina coberta que ficava ao lado da casa principal. Acomodei tudo à beira da água. Me aproximei de você e, sem nenhuma palavra, comecei a te despir. Meu olhar pouco desviava do seu, tentando encontrar a maneira certa de te dizer o que fora a conversa com o boss.
Fui te puxando pra dentro d’água depois de tirar minha própria roupa. Nossos corpos se grudaram atraídos pela força do desejo que já nos consumia. De repente precisava falar...
-- Sabe qual meu maior sonho?
-- Escrever um livro? -- você respondeu rápida me fazendo sorrir beijando a ponta de seu nariz.
-- Este é apenas a conseqüência de um sonho maior... ter tempo para cuidar de você e de nossos filhotes. -- você me encarou com olhos de quem quer a resposta imediata. -- O boss me fez uma proposta de trabalho hoje à tarde... quer que eu passe um ano em Djerba comandando um projeto de desenvolvimento turístico na ilha... o orçamento é da ordem de 30 bi... eu levaria 5 milhões de euros pelo serviço. -- você se afastou incrédula.
-- É muito dinheiro!
Te trouxe de volta pro meu abraço.
-- Garantiria o futuro de nossos filhos... e eu poderia parar de trabalhar viajando... trabalhar mais em casa... quem sabe, investir num negócio só nosso... mas... como deixar vocês por um ano? Eu... eu...
Já não conseguia falar direito. O fato de ficar longe estava me assustando demais. Sua mão acariciou meu rosto e seus lábios cobriram os meus por alguns segundos.
-- Vamos estar com você de todas as maneiras que forem possíveis... a net e a aviação vão estar do nosso lado... vamos te ver sempre que possível... não vai ser pra sempre... o tempo vai nos ajudar passando bem rapidinho... você vai ver...
Nos abraçamos cúmplices.
-- Tem mais um detalhe... -- olhei diretamente nos seus olhos. -- Eu não irei sozinha... Glória irá comigo... -- a sua reação foi a esperada.
-- Por que ela?! -- perguntou se afastando enquanto enchia a taça de vinho e sorvia de um gole só.
Fui devagar até te envolver por trás, acariciando seu ventre e te sugando o pescoço. O estremecimento de teu corpo me encorajou a continuar.
-- Não fui eu quem escolheu, mas no lugar do boss, não teria outra opção.
Você se virou pra mim com olhos desafiadores.
-- Tenho certeza disso!
-- Ela é muito boa no que faz, vida... com ela do meu lado posso voltar pra casa mais cedo. -- e teu olhar passou do irônico para o receoso.
-- Ela vai tentar te seduzir...
Segurei seu rosto com as duas mãos e respondi convicta:
-- Sim, vai... mas nada que ela “tente” fazer conseguirá superar o que causa teu olhar no meu...tua mão em meu corpo...teu cheiro me invadindo, me tomando por inteira...olha pra mim...o que vê em meus olhos? -- peguei sua mão e coloquei no peito onde batia desesperado o meu coração. -- E aqui? -- nos abraçamos com carinho. -- Eu sou sua... nunca fui de ninguém... só sua... desde o primeiro “olá” pelo e-mail... desde a primeira palavra pelo telefone... desde o primeiro olhar...-- senti teu corpo relaxar no meu e suas dúvidas vieram.
-- Ela é tão... tão...
-- Sacana? Egoísta? Rancorosa? -- enquanto eu ia pronunciando estas palavras você apertava mais o abraço. Afastei-me um pouco pra te olhar e dizer. -- Cris... se você me disser que essa situação vai te causar algum desconforto... se você acredita que eu possa sucumbir aos atentados daquela doida, eu desisto de ir...
Você tapou minha boca com a mão, foi retirando devagar e, num ímpeto, me tomou os lábios com sofreguidão, marcando meu corpo com as mãos ávidas.
-- Agora vou te mostrar porque você é minha...só minha... -- e o incêndio nos consumiu durante boa parte da noite.
Continua...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
ENDLESS LOVE VOL III - Capítulo II
Saí do hospital com uma sensação estranha. As meninas se perderam por uns meses e a ameaça de perda fez com que uma delas tomasse a atitude necessária para que se reencontrassem. Lúcia havia engravidado para transferir todo o amor que não podia entregar a Lídia. No início ela havia pensado em dizer-lhe do bebê, mas um encontro com ela e o namorado no cinema havia partido o coração de Lúcia e esta havia prometido nunca mais procurá-la. Pelo lado de Lídia, esta havia procurado Lúcia depois de vê-la quando saia do cinema, mas fora completamente ignorada, sendo recebida com a maior frieza possível. Acabou desistindo de vê-la de novo, mas agora se prometiam tudo. Amor... Cumplicidade... Felicidade. E o que fez com que isso acontecesse? A iminência da morte. Fizeram planos de morar no apartamento de Lúcia que era maior e localizava-se próximo de um lindo parque. Meus olhos se encheram d'água lembrando quando comprei a casa na praia para que nós e nossos filhotes pudéssemos ter espaço suficiente, mas você não veio de imediato. E foram dias que gostaria de esquecer. Fora uma perda temporária e descobri que sem você nada fazia sentido. Me deu um aperto no peito e corri pra casa. Precisava te ver, pois, de repente, o medo de que isso não fosse mais possível me atingiu consideravelmente. Eu estava delirando. O que acontecia comigo? Entrei apressada e corri pro nosso quarto. Give dormia no cesto ao lado de nossa cama e você lia um livro, recostada na cabeceira, de óculos. Meu coração veio à boca e a respiração ficou difícil. Estava tendo um ataque de pânico. Saí do mesmo jeito que entrei: rápida, indo para a varanda que dava passagem para a praia. Fiquei lá tentando respirar, tentando acalmar o coração confuso e agitado. Braços quentes envolveram meu corpo alguns minutos depois, me cobrindo com um edredom, pois não notei o frio congelante que fazia.
- Lúcia está bem?... - respondi que sim num sussurro... - Lídia?... - disse que também, com a voz sufocada pelo choro que vinha...
- Se acertaram... - concluí deixando as lágrimas caírem e convulsionando num pranto necessário... - Não me deixe nunca mais!... - me virei e apertei-me em seu abraço. Você repetia a palavra “nunca” várias vezes em meu ouvido, até que parei de tremer e relaxei completamente ali, no meu mundo. O mundo que havia conquistado para sempre.
Abraçadas, fomos para o quarto. O tempo todo você me fazia carinho, me olhava com uma intensidade que ainda não tinha sentido. Me despiu, se despiu. Meu corpo inteirinho se arrepiou, não só pelo frio que fazia, mas pela emoção que era te ver nua. Deitamos e sua mão segurou a minha. Nos olhávamos. Queria te dizer algo que exprimisse o que ia dentro de mim, mas você tomou a iniciativa.
- Não posso te adivinhar como você faz comigo, mas posso sentir que algo não está bem... não vou ter paciência para esperar que fale... me conhece... - deu um sorriso lindo que acompanhei embevecida... - quero que saiba que, o que quer que seja, deixe vir, mas não deixe te levar de nós, porque somos parte de algo maior... mesmo que um de nós deixe de existir, esse algo se tornará maior...perdas e ganhos, na vida que construímos, têm potencial igual por que é de verdade... é real...não são ilusões passageiras... - minhas lágrimas foram secadas uma a uma por teus dedos maravilhosos, então recebi teu corpo sobre o meu. Sabia que me tomaria agora e não poderia mais sustentar todo o fogo que se acendia em mim...
- Antes de você, os dias eram apenas os dias... depois, eles se transformaram em uma vida após a outra... cheios das mais intensas sensações... - as palavras saiam de sua boca com delicadeza. Você pegou minha mão e levou ao coração... - Está sentindo essa pulsação acelerada? É minha alma prestes a encontrar a sua... te quero...- disse ao me erguer para sentar em seu colo, deixando nossos sexos colados... - Vem pra mim, amor... deixe que minha alma te sugue a essência... vem...- e me tomou a boca com sensualidade nos levando ao primeiro orgasmo que recebi como o mais maravilhoso de nossas vidas, pois não foram os corpos que o detonaram, mas a certeza de que nos amávamos demais. E a noite se tornou um sonho sem fim.
Acordei do jeito gostoso que sempre acordava: você inteira sobre mim... Deixando o pescoço irresistível ao meu bel prazer. Encostei os lábios nele devagar e teus braços me apertaram mais, se encaixando, dizendo claramente que não sairia dali tão cedo...
Acordei do jeito gostoso que sempre acordava: você inteira sobre mim... Deixando o pescoço irresistível ao meu bel prazer. Encostei os lábios nele devagar e teus braços me apertaram mais, se encaixando, dizendo claramente que não sairia dali tão cedo...
- Vida?... - o primeiro resmungo e depois silêncio... - Vida, temos que levar a Give na Silvia hoje... - beijei o pescoço mais uma vez, e você se mexeu e soltou mais um resmungo, beijando todo o meu rosto.
- Eu sei... mas aqui tá tão bom...
Me livrei de seu abraço te puxando pela mão... - Banho.
Nossa filhota estava cada vez mais dengosa. Os meninos se despediram dela e foram para a escola com Bertha, a babá. Na clínica, ficamos aguardando o resultado dos exames que Sílvia fazia. Surgiu na porta com uma cara não muito boa. Sentou perto de nós e começou.
Nossa filhota estava cada vez mais dengosa. Os meninos se despediram dela e foram para a escola com Bertha, a babá. Na clínica, ficamos aguardando o resultado dos exames que Sílvia fazia. Surgiu na porta com uma cara não muito boa. Sentou perto de nós e começou.
- Falta ainda um mês para que ela entre em trabalho de parto, mas não sei se conseguirá levar adiante... os sinais vitais dos filhotes estão fracos... - respirou fundo antes de dizer... -Temos que fazer a cesariana agora... ou arriscar...
Você levantou imediatamente...
- Faça! Não quero arriscar nada! É minha filha! - te abracei pedindo calma. Vi o constrangimento de Sílvia e você também. Pediu desculpas...
- Tudo bem, minhas queridas... sei que não será fácil... só quero que saibam que o risco de fazermos isso agora é menor, mas não deixa de ser um risco. Entregamos na mão de Deus. Ali, naquela sala de espera, relembramos o encontro com nossa Give. A carinha que você fez quando, numa de nossas viagens, pediu para levarmos a gatinha siamesa franzina e maltratada de olhos grandes e azuis como o céu, que havia se enfiado em sua bolsa quando estávamos na praia. E o céu estava assim quando a enterramos junto com três filhotes que faleceram no dia seguinte. Sílvia tentava nos consolar, dizendo que um bravo gatinho ainda resistia, que precisava de nós e teu olhar, cada vez que Sílvia se referia a ele, era frio, indiferente. Não seria difícil adivinhar que você o rejeitaria em nome de um amor eterno por nossa gata.
Mais de um mês havia se passado desde a partida de nossa menina. Tinha chegado a hora de trazer o filhote para casa. Nesse ínterim eu tentava te dissuadir da idéia de deixá-lo com Sílvia, mas estava difícil. Acabamos discutindo feio e resolvi não insistir mais. Liguei pra Marina e disse que podiam ficar com o gatinho que ainda não tinha nome. Fui te encontrar no quarto admirando uma foto onde estávamos todos juntos. Give estava em seu colo, olhos semicerrados, pois recebia seu afago no pescoço e ela adorava isso.
- Falei com Marina... - você pareceu se assustar.
- Não quero ter notícias dele... nem quero vê-lo... sugira que o levem para o sítio... sentiria-me desconfortável em visitá-las caso queiram ficar com ele na casa...
Era incrível o poder que a dor tinha de te fazer ficar dura e insensível.
- Quanto a isso não acho que podemos intervir... seria querer demais... elas já se apegaram a ele...
Você me interrompeu... - Então que fiquem com ele e sem mim...
Quando ia te dizer algo mais, a campainha toca. Ao abrir a porta me deparei com Marina e o filhote acomodado num cesto.
- Por que o trouxe, Marina... Cris... - ela não me deu oportunidade de dizer mais nada.
- Onde ela está?... - deixou o cesto em cima do sofá onde um gatinho siamês de olhos extremamente azuis tentava fugir com miadinhos fracos.
- No quarto... - respondi me deliciando com as estripulias do filhote rolando a cada vez que conseguia agarrar a borda do cesto. De repente uma vontade maior de tê-lo conosco me fez pegá-lo no colo e levá-lo ao quarto onde vocês estavam. E presenciei uma conversa que jamais iria esquecer. Marina te abraçava, enxugando algumas lágrimas de seu rosto.
- Achei que esse seria o sentimento de minha família para comigo, quando minha mãe morreu por conta de complicações no meu nascimento... - você olhou-a curiosa... - Sim... minha mãe morreu de parto... vivi com um sentimento de culpa tão grande pelos outros irmãos que me impedi de ser feliz durante muitos anos, até desabafar com a única pessoa que me mostrou justamente o contrário: a maluca da Mirian... - você riu, ela também... - Me chamou de injusta quando percebeu que eu pedia para ela escolher entre mim e nossa mãe... disse que eu era o grande presente que ela havia deixado para nos confortar e nos orientar na vida... porque era isso que ela me fazia sentir todos os dias de minha vida...útil... esse sentimento que está te corroendo....dor da perda... é natural, mas observe, tem um serzinho todo iluminado que perdeu muito mais que nós todos e lutou para sobreviver como nunca vi antes... ele precisa de sua família, pois já perdeu a origem junto com os irmãozinhos... ele só pede para entrar na sua vida... pra ser amado e amar de forma igual...
Nessas últimas palavras você se desmanchou em lágrimas, e eu entrei com nosso "neto" nos braços. Ele deu um miadinho e você se ergueu imediatamente. Ele te olhou aquele olhar que conhecíamos bem... Azul... Miou de novo e você se aproximou para resgatá-lo de mim. Que momento indescritível. Ele te olhava o tempo todo como se esperasse você dizer alguma coisa.
- Precisamos te dar um nome, precioso... - e o apertou nos braços.
- Isso... é esse nome mesmo... - você olhou pra mim sem entender - Precioso Love, bem vindo à família... - falei te abraçando.
DOIS ANOS DEPOIS...
Essa era uma das viagens mais longas que você já havia feito. Uma dor fininha em meu peito denunciava o extremo da saudade. Tão difícil acordar sem teu pescoço para mordiscar, sem teu peso sobre mim. Era como se eu estivesse oca, incrivelmente vazia. Fazia vinte dias e ainda faltavam mais dois para que eu pudesse sentir tua pele na minha, receber teu beijo, fazermos bagunça na cama com os gêmeos e nossos filhos gatos. Ri quando lembrei tua reação depois de se divertir pra caramba. Ficava fula dizendo que era a última vez que fazia isso, me dando aquele olhar matador. Saudade... Agora entendo porque é uma palavra que existe só quando se sente. Falamos no skype até tarde. Dissemos tudo o que a falta nos permitiu dizer. Comecei a dar detalhes de como meu corpo sentia vontade e de como era difícil contornar a excitação. Teu rosto começou a ficar estranhamente rubro e me pediu para parar antes que fizesse algo que achava extremamente embaraçoso: sexo virtual. Atendi ao seu apelo, falamos mais algumas bobagens e encerramos a conversa com um “eu te amo” mútuo.
Essa era uma das viagens mais longas que você já havia feito. Uma dor fininha em meu peito denunciava o extremo da saudade. Tão difícil acordar sem teu pescoço para mordiscar, sem teu peso sobre mim. Era como se eu estivesse oca, incrivelmente vazia. Fazia vinte dias e ainda faltavam mais dois para que eu pudesse sentir tua pele na minha, receber teu beijo, fazermos bagunça na cama com os gêmeos e nossos filhos gatos. Ri quando lembrei tua reação depois de se divertir pra caramba. Ficava fula dizendo que era a última vez que fazia isso, me dando aquele olhar matador. Saudade... Agora entendo porque é uma palavra que existe só quando se sente. Falamos no skype até tarde. Dissemos tudo o que a falta nos permitiu dizer. Comecei a dar detalhes de como meu corpo sentia vontade e de como era difícil contornar a excitação. Teu rosto começou a ficar estranhamente rubro e me pediu para parar antes que fizesse algo que achava extremamente embaraçoso: sexo virtual. Atendi ao seu apelo, falamos mais algumas bobagens e encerramos a conversa com um “eu te amo” mútuo.
Depois que você se despediu no skype, ainda fiquei olhando para o monitor relembrando sua imagem. Quase que ouvindo sua voz me dizendo da saudade... Teus olhos... Um brilho incomum... Minha vontade de você aumentando como se pudesse ser maior do que já era. Ouvi o choro de Giovanna e fui ver o que acontecia. Ela estava sentada segurando o ursinho que você trouxe para ela do Canadá, esfregando o olhinho. Gian nem se mexia, até ressonava, lembrando você novamente.
- Vem cá, vidinha... - coloquei-a no colo, ela me agarrou e o choro voltou com vontade...
- Sonhei que mami Cris não conseguia mais voltar pra casa!
Senti o corpinho tremer... - Shhh... isso não é verdade, filha... foi só um sonho mal... - beijei-lhe a testinha...
- Quero falar com ela... - o pedido fora feito daquela maneira que só você e ela sabem fazer.
Suspirei olhando pro relógio que ficava na parede do quarto. Era tarde, se ligasse e te acordasse no meio do sono levaria um sonoro “ligue amanhã” e ouviria o click do fone me dizendo para não insistir. Disquei o número e, antes de apertar a tecla de início, pedi a Giovanna que falasse assim que você atendesse. Senti-me uma covarde, mas seria melhor você ser acordada por sua filha e se conter no momento, mesmo sabendo que eu ouviria depois.
- Mami! - Giovanna gritou quando ouviu sua voz sonolenta... - Mami, volta logo! Tive um pesadelo... que você não voltava pra casa....- o muxoxo e a voz embargada pelo choro. Ouvi tua voz nitidamente pedir a ela que se acalmasse que você a amava muito e que já estava voltando com vários presentes, e nossa filha sorriu de alegria, mas o que você disse depois me deu arrepios...
- Deixa eu falar com a mamãe Endless, certo? Vá dormir com os anjinhos...
Depois de despedidas com beijinhos Giovanna me deu o celular e deitou aninhando o urso nos braços.
- Muito espertinha... achou que se livraria de meu mau humor quando sou acordada no meio da noite? - eu me segurava para não gargalhar.
- Nem por um segundo... acho que nem conseguiria dormir sem isto...- não segurei mais e explodi numa risada.
- Está se divertindo, não é? Me aguarde, Senhora Love... - e você desligou sem mais nenhuma palavra.
- Por que temos que ir pra casa da Tia Marina? Queremos ver a mami... - Giovanna já protestava enquanto eu terminava de arrumá-la quando Gian soltou uma...
- Porque hoje é dia de irmos ao sítio ver os animais, esqueceu? - que menino esperto o nosso... - E mamãe Endless já explicou que mami Cris chega tardão e nem vamos poder vê-la porque estaremos dormindo e amanhã elas vão nos encontrar lá, não é mamãe? - segurei-o nos braços e o apertei forte...
- É claro que sim, garotão... - olhei Giovanna de soslaio, parecia pensativa...
- Então, madame? - a conhecida buzina a tirou do devaneio... - Sua tia está esperando... vamos? - ergui a mão para que ela segurasse e saímos sem mais protestos.
Ansiedade... Esta era a palavra para me decifrar durante todo o dia. Não me esqueci de nenhum detalhe, tudo para te satisfazer... Satisfazer-nos. Dez e meia. Depois de preparar tudo só faltava esperar. Pus uma música suave e deitei um pouco no sofá. Ouvi as chaves na porta e senti a primeira taquicardia da noite. Teu cheiro veio primeiro, os passos vinham em minha direção e pararam. O ruído da mala solta no chão foi de propósito, mas continuei com os olhos fechados. Os passos se aproximaram junto com o perfume inconfundível. Senti teu peso ao sentar no sofá e teus braços próximos a minha cabeça. O calor de teu hálito atingindo em cheio minhas narinas. Não suportei e sorri antes que nossas bocas se encontrassem de maneira quase selvagem. Nos soltamos quase sem ar, tua respiração arfante...
- Deus, como eu precisava disso... - te ouvi dizer antes de nos beijarmos mais uma vez. Tuas mãos se infiltrarem sob minha camisa numa urgência visceral...
- Espera, vida... - segurei seus movimentos com delicadeza, beijando teus dedos com carinho... - Sente... - coloquei sua mão para que percebesse as batidas de meu coração. Encarei teus olhos com toda minha emoção... - Como da primeira vez... é assim que me sinto quando você me toca... sempre... preparei uma surpresa... - me ergui te trazendo junto.
Te levei ao quarto, despi você das roupas bem devagar, apreciando cada parte que se mostrava, me segurando para não te comer inteira ali mesmo, mas precisava desta demora. Precisava desta comoção de te redescobrir mais uma vez. A banheira esperava para um banho merecido. Uma taça de champanhe te aguardava na beirada, velas aromáticas. Você aconchegou-se na água querendo me trazer junto, mas evitei te dando um beijo suave nos lábios... - Te aguardo na sala de jantar... não tenha pressa... - vi teus olhos se fechando de prazer antes de sair.
Nossa comida preferida... Champanhe no gelo... Teu corpo em minhas costas num abraço carinhoso... - Te amo... - sussurrei ao sentir tuas mãos em meu ventre numa carícia gostosa...
- E eu cada vez mais... não sabe o quanto esperei por esta tua dedicação... delicadeza... paixão... deste jeito de me adivinhar... de me dar prazer sem nem me tocar de verdade...
Nos beijamos de novo, desta vez com mais calma. Durante o jantar íamos contando novidades, conversando sobre os gêmeos, nos entendendo como casal...
- Um brinde... - ergui meu copo com água Perrier e toquei tua taça. Você fez o comentário...
- Água? Achei que hoje você se permitiria...
Coloquei minha mão sobre a sua te olhando profundamente.
- A única bebida capaz de me embriagar é a que vem de tua boca... Não necessito outra...
Então a segunda taquicardia da noite aconteceu quando te vi levantar e vir até mim. Tuas mãos seguraram as minhas.
- Vem... tenho fome...
E as batidas do coração saíam à revelia, sem ritmo, desengonçadas, mas fortes. Fomos andando devagar até o quarto onde a penumbra era perfeita. Da varanda vinha o murmúrio do mar, acalentado pela luz intensa da lua cheia que penetrava sem ser convidada. Minha boca alcançou teu pescoço enquanto tuas mãos me despiam. Aproveitei e te livrei do roupão que cobria todo o tesouro que me havia sido ofertado por Deus. De todas as carícias já intentadas não sobraram sequer um suspiro. Nos demos tudo, nos entregamos tudo e, como o milagre da vida, renascemos de nós selando a felicidade real.
Manhã. A cadência de tua respiração afetando o palpitar em meu peito por te saber viva e grudada a mim como uma segunda pele. No teu rosto os sinais do cansaço. Os lábios deixavam escapar entre eles teu ar quente, vital. Quis respirar dele e o fiz. Quis me deixar aspirar para dentro de você... Me perder e me misturar... Essa idéia me causou quase uma dor e, não resistindo mais, percorri o caminho mágico com meu nariz que ia do canto de sua boca até o pescoço, e permiti o contato ardoroso de minha língua ali... Lugar meu... Meu segredo... Meu desejo... Meu limite entre o tudo e o mais que tudo. E fui esmagada por teus braços e pernas, e teu sexo quente se fez molhado, pincelando minha coxa num sobe e desce vagaroso e sutil. Agora eu já não respirava mais. De teu pescoço, minha língua aventurou-se na busca de teu seio. Ouço o primeiro gemido. A pele suada era o adesivo perfeito. Os pingos de suor escorriam e encontravam meu paladar acostumado a teu gosto. As minhas mãos apalparam a maciez de tuas nádegas e eu as pressionava, ajudando em nossa dança visceral. Te adivinhando, pronunciei as primeiras palavras...
- Vem... minha vida... solta pra mim... me dá tudo...
Teus sons eram puros e arrebentavam em meus ouvidos como borrascas, devastando tudo o que fosse real. Estávamos chegando... Os sinais eram cada vez mais fortes. E aconteceu de você abrir as portas misteriosas dos seus olhos diante da eminência do gozo poderoso prestes a nos levar para onde sempre queremos ir e voltar como as ondas... Vi dentro deles o espanto da entrega, quando teu líquido jorrou abundante. Depois de segundos em que pensei termos nos ausentado da vida, você me pergunta assustada.
- O que aconteceu?... - tua voz fraca me incentivou a te abraçar e beijar com ternura. Você continuou com a interrogação escrita no rosto... - Nunca aconteceu assim... tão forte...
Te beijei de novo e de novo... - Foi uma recompensa então... - sorri e você me abraçou mais, acordando novamente o meu desejo, quando o telefone fixo começou a tocar.
Você me soltou aborrecida e atendeu irritada...
- Filha?... - a vozinha de criança te deixou sem graça... - Sim, meu amor....vou sim... Giovanna?!! - entendi que ela já reclamava da nossa demora em chegar lá...- Você precisa ter paciência, minha filha! -te olhei de banda e soltei...
- Olha só quem fala! - recebi um tapa imediato no braço que atiçou meu fogo, me fazendo avançar para você, te enchendo de beijos maliciosos por todo seu corpo...
- Quer parar?! - depois do seu grito teve que se retratar com Giovanna... - Não, meu amor, não foi com você... mamãe tem que desligar, tá certo?... Gian? Filho...o quê?! Pônei?! O Biel ganhou um pônei...- você disse já deixando transparecer um pouco de exaspero... - Sei, meu querido... mas você ainda não pode...Giancarlo, quer me ouvir?!... Não quero você montando nele, entendeu?! Falamos sobre isso quando eu chegar aí... Gian? Gian?...Oi, Marina... - agora seu olhar já revirava demonstrando a impaciência... - Sim, cheguei bem, obrigada...chego aí no fim da tarde...sei...o pônei...Não, eu não quero que ele monte, está bem? Obrigada mais uma vez... até mais... - após desligar você se jogou sobre mim... - Onde estávamos?...”.
Depois de outras experiências prazerosas acabamos adormecendo. Levantei ainda sonolenta e fui realizar os rituais matinais. Quando saí do banho você não estava mais na cama. Senti que algo estava te preocupando desde o telefonema dos gêmeos, e foi no quarto deles que fui te encontrar, sentada na cama de nosso menino segurando a foto dele...
- Ele vai ficar bem... - você se assustou e disfarçou as lágrimas secando-as rapidamente. Me aproximei e te abracei forte...
- Ele quase não nos pede nada... tão diferente de nossa filha que insiste e argumenta até não agüentar mais... - sua voz ficou chorosa ao dizer estas palavras...
- Ele sabe que, se você negou, tem bons motivos... é assim que ele é... - beijei teus cabelos... - Agora, já pro banho, mocinha... vou preparar algo para comermos antes da viagem.
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